Atlântida

16.Fev.2005 @ 3:48 pm
Arquivado em Literatura

AquamanNum destes finais de semana sem computador eu li um dos livros de uma coleção sobre grandes civilizações desaparecidas. O volume que eu tinha à disposicao era sobre Atlântida, a cidade que Platão descreveu nos diálogos Timeu e Crítias e terra natal do Aquaman. Eu já sabia algumas coisas sobre o mito de Atlântida, mas o livro expandiu (bastante) meus conhecimentos.

A obra era dividida em seis capítulos, onde cada um descreve uma teoria sobre Atlântida. o primeiro capítulo é dedicado à Platão e seus diálogos. Segundo Platão, a história de Atlântida (a potência além das colunas de Hércules - atual Estreito de Gibraltar) foi contada pelos egípcios a Sólon, um antepassado seu, em 900 a.C.. De acordo com o relato de Sólon, a civilização atlante era extremamente desenvlvida tanto militar quanto comercial e socialmente. O relato ficou guardado na família de Platão até que ele o revelasse por volta de 380 a.C.. Segundo os arquivos egípcios, atlântida afundou no mar sem deixar vestígio aviso prévio e sem deixar vestígio algum.

O segundo capítulo descreve os estudos de um pesquisador peruano chamado Juan Dorquea Cabrera, que afirma que os antigos incas são descendentes diretos dos atlantes. Para afirmar isto ele exibe alguns hieróglifos esculpidos em pedras encontradas nas cidades do antigo império sul-americano. Segundo Cabrera, certas imagens utilizadas pelos incas são idênticas a alguns hieróglifos egípcios, o que indicaria que estes povos descendem dos antigos atlantes. Além disso, algumas pedras exibem desenhos que indicariam médicos realizando transplantes de órgãos e mapas estelares complexos.

PangeaA teoria dos povos mais desenvolvidos da antigüidade descenderem dos atlantes reaparece no terceiro capítulo, onde esta idéia vai mais longe: segundo alguns pesquisadores europeus, americanos e soviéticos (o livro é de 1978), a Atlântida existiu na época em que o Pangea estava se separando. Atlântida já era bastante desenvolvida nesta época e seus habitantes, ao perceberem que sua terra estava condenada, migraram para outros lugares do mundo, como a América Central, América do Sul e África, fundando assim as civilizações Asteca e Maia, Inca e Egípcia, respectivamente. Para sustentar esta hipótese, os pesquisadores dizem que esta é a única forma de explicar as semelhanças que existem, por exemplo, entre as pirâmides Maias e Egípcias, bem como entre a escrita destes povos.

CretaDas explicações para a localização e o desparecimento de Atlântida, a que mais me chamou a atenção foi a que supões que Atlântida nada mais era do que a ilha de Creta em seu tempo áureo. Várias evidências sustentam esta hipótese. Uma destas evidências é o fato de Creta estar a oeste do Egito, como na narrativa de Sólon. Outro ponto a favor é que por volta de 1500 a.C. (portanto, 600 anos antes da visita de Sólon ao Egito) Creta era o local mais desenvolvido da Antigüidade. Por fim, arqueólogos e geólogos comprovaram que por volta desta mesma época Creta foi atingida por uma tsunami (ou seja, foi engolida pelas águas, como Platão afirma) e foi soterrada pelas cinzas do vulcão que originou a onda gigante.

No quinto capítulo há o relato de um americano chamado Edgar Cayce, um caipira semi-analfabeto que entrava em transe e receitava tratamentos para alguns doentes. Certo dia este tal Cayce começou a descreve rum antiga civilização há muito desaparecia e algumas pessoas julgaram que pode ser Atlântida.

A teoria de um pastor chamado Jürgen Spanuth fecha o livro. Ele acredita que os atlantes vinham do norte. Eles seriam, no caso, os antepassados dos vikings. Como provas para isso ele cita os antigos relatos sobre guerras encontrados em papiros. Este papiros falam sobre um povo bastante forte militarmente que atacou o Egito mas foi derrotado pelo exército do Faraó. Alguns baixo-relevos da época mostram este povo usando espadas longas e capacetes com chifres, da mesma forma que vikings. Spanuth ainda afirma ter encontrado as ruínas do palácio do antigo Imperador de Atlântida em pleos mares escandinavos. O que conta pontos contra esta teoria é a localização geográfica da Escandinávia (bem distante das referências dadas pelos outro relatos) e o fato de Spanuth defender os atlantes como a raça que originalmente gerou toda a humanidade. Os atlantes seriam a raça perfeita, branca, alta, forte. A raça ariana por excelência. Quando descobrimos que Spanuth era partidário de hitler, fica óbvio o porquê da defesa destas idéias.

É claro que o livro expões estas seis teorias de forma muito mais detalhada, inclusive com fotos. Mas é interessante ver um mito tão antigo ainda gerar curiosidade hoje. Também é fantástico saber que tanto egípcios como grego e até mesmo incas e maias possuem lendas em comum, pois Atlântida (ou uma civilização muito antiga que foi destruída por um cataclismo natural) está presente em todas estas culturas.

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