No Restaurante no Fim do Universo,, excelente livro do Douglas Adams, há uma passagem que acho muito engraçada. Em 7 itens, Adams descreve as principais características do universo, como área, população e comércio. Destaque para o item 5: unidades monetárias.
5 — Unidades Monetárias: Nenhuma.
Na realidade há três moedas livremente correntes na Galáxia, mas nenhuma delas conta. O Dólar Altairiense entrou em colapso recentemente, a Baga Flainiana só é intercambiável por outras Bagas Flainianas, e o Pu Trigânico tem seus próprios problemas muito específicos. Sua taxa de câmbio de oito Ningis por cada Pu é bastante simples, mas como cada Ningi é uma moeda triangular de borracha de seis mil e oitocentos quilômetros de lado, ninguém jamais as juntou em número suficiente para possuir um Pu. Ningis não são moedas negociáveis, porque os Bancos Galácticos recusam-se a lidar com trocados. Partindo-se dessa premissa básica, é muito simples provar que os Bancos Galácticos também são produto de uma imaginação perturbada.
Eu sempre ri desta passagem porque gosto de humor nonsense. Acho hilário que alguém tenha pensado em definir um Ningi como sendo uma moeda triangular de borracha de seis mil e oitocentos quilômetros de lado. Uma coisa destas só poderia existir na cabeça do Douglas Adams.
Ou não.
Em Yap, uma das quatro ilhas que formam os Estados Federados da Micronésia, a unidade monetária é o Rai. Lá, discos de pedra de até 4 metros de diâmetro são utilizados como moeda para comprar os itens necessários para a sobrevivência do povo.

Agora eu me pergunto: o que leva um grupo de pessoas a usar pedras de até 4 metros de diâmetro como dinheiro? Se fossem só pedras, mas que pudessem ser carregadas no bolso compartimento que aborígenes têm em suas roupas tradicionais para carregar documentos, passes de ônibus, lanches e similares, eu entenderia. Afinal, no mundo inteiro, sempre se utilizou metais, ossos, pedras e outras coisas naturais como algo que simbolizasse algum tipo de valor. Em geral, algo pequeno. Ninguém saía com uma vértebra de baleia para comprar pão na esquina.
Mas na Micronésia não. Os índios de lá preferiram utilizar pedras.
Pedras gigantes.
Imaginaram como seria para um grupo de amigos ir ao supermercados comprar as cervejas para a festa?

E o pior: e se os índios tiverem que voltar pra casa carregando troco?

Não adianta. Índio é índio em qualquer lugar do mundo. A única solução para que coisas assim não acontecessem mais seria se, sei lá, a cabeça de um gato extraterrestre viesse voando do espaço e lançasse raios laser pelos olhos, exterminando estes indivíduos.


9 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Pode ter sido algum reflexo da inflação da época….
Bom,provavelmente assaltos não eram freqüentes.
Espero que eles aceitem cheque ou cartão…
Mas, se a moeda é deste tamanho imagine o cartão ou o cheque?!
best gif ever
Lá as pochetes ou bolsinhas não fariam(fazem) sucesso. Esse livro é muito bom, ele ensinando a voar é hilário…
Que legal ler sobre o Douglas Adams. Leio uma penca de blogs e descobri que muitos leram ” a trilogia de quatro livros”. Eu me sentia a ultima nonsense pq quando conversava com meus amigos, poucos tinham lido.
@Super SIL
Na verdade, são cinco livros, e eu li todos. Aliás, tenho todos \o/
Os índios estão bem à frente do nosso tempo.
Com uma moeda dessas fica fácil perseguir bandido.
E pra facilitar, o resto da aldeia troca papéis nominais. As moedas ficam lá quietinhas, servindo de mesa de centro, só se mexem no vencimento dos papéis ao dia 15 de cada mês.