Um dos meus prazeres na internet é ler os blogs de direita. Não que eu seja de direita ou de esquerda, mas se for para ler barbaridades, que elas pelo menos sejam bem escritas. E comuninhas não sabem escrever bem.
Não lembro que caminho fiz para encontrar o texto Lula Já É Um Coitado, de 2002, mas a leitura vale muito a pena. Copio aqui os dois parágrafos iniciais do artigo:
Lula nem venceu ainda as eleições e já é um coitado. Já ouvi vários petistas dizendo: “Coitado, não vão deixar ele fazer nada”. Mesmo ganhando ele é um coitado! Vai ser sempre um coitado – vai ser sempre considerado perseguido, marginalizado, vítima. Até mesmo na posição menos marginalizada (por definição) do mundo. Vai ser o presidente-do-qual-todos-tem-pena. Coitado, ele até que se esforça pra falar direito. Coitado, ele melhorou, vai.
Estou um pouco cansado de, eu no sol, ter pena de quem está na sombra. O mundo está cheio de falsos coitados – nem todos presidentes ou senadores, aliás. Rappers, por exemplo. Especialmente os brasileiros. Vêm da periferia, tudo bem; talvez continuem a viver lá. Mas a renda deles é maior do que a minha. Não sei qual a renda deles, mas sei qual é a minha, e é difícil que a deles seja menor do que a minha. E no entanto eles vão ser sempre os explorados, eu o explorador; eles povo, eu burguês (no sentido marxista, que é o único que eles conhecem; é claro que eu jamais poderia ser considerado burguês no sentido flaubertiano do termo. É só olhar pra mim! Por favor!).
Deixarei vocês em dúvida sobre minha opinião a respeito das linhas acima. Não afirmarei (pelo menos não explicitamente) se concordo com elas ou não. Meu ponto aqui é outro.
A despeito do quão tênis-verde possa parecer o que vou dizer agora, tenho notado em mim, nos últimos tempos, uma certa predileção pelo belo, pela forma. Prefiro mil vezes ler algo bem escrito sobre o que não concordo do que
Preguiça de terminar a frase.
Aliás, ando com preguiça de tudo. Ou seria com tudo?
Entretanto, sempre haverá Pierrot Le Fou para alegrar meu dia.
Todos deveriam ter algo para alegrar seu dia.
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2 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
Vc andou tomando alguma coisa? Ou foi cheirando mesmo?
Várias vezes o que importa está mais na forma como é demonstrada do que no conteúdo em si. A mesma coisa pode se desdobrar em várias dependendo de como se coloca… entendo a preguiça. Este é o meu momento de ócio, também. Em dias de diarreia eu usei Sai de Baixo para me animar, relembrando os monólogos do Caco Antibes sobre os pobres. Devia limpar a casa, ou ao menos arrumar as tranqueiras espalhadas para o faxinão de amanhã. Sábado conheci um partidário do PSB. Ficou falando que o socialismo agora é de dentro para fora, com expansão capitalista sem freios e mais um monte de coisa que me soou o mesmo papinho de antes. Eu sei lá. Pra mim toda essa ideia de pátria, família e tradição é que devia ir pras cucuias.
“burguês no sentido flaubertiano do termo”. Meus Deus. Preguiça. Tenho passado a odiar essas adjetivações vindas de autores. Kantiano, Schopenhauriano, Nietzschiesco. Foda-se. Melhor ser shakespeareano, ou quem sabe romeuejulietano, e perguntar o que há num nome…