Aquelas pessoas? Em Manhattan? Elas são melhores do que nós, pois querem coisas que ainda não viram.

Mad Men: melhores diálogos.

Eu tive uma epifania na minha última viagem pra Manhattan, enquanto comia um cachorro quente na escadaria do Metropolitan, logo após sair do Guggenheim.

(percebam a gratuidade destas informações, colocadas aqui só para me exibir enquanto viajante cosmopolita)

Foi ao ouvir o áudio a respeito o Palácio Ducale, uma construção em Veneza pintada por Monet em 1908, que percebi aquilo que me atrai nas artes em geral, seja pintura, música, cinema: a essência.

Palazzo Ducale

Na pintura acima, Monet pintou apenas aquilo que é estritamente necessário. O canal, o céu, as impressões que o prédio causava nele e na água.

É isso que procuro em Mondrian, White Stripes, Gus Van Sant, Pollock, Ramones, Godard. A essência de suas manifestações, sem muitos floreios. Quero ir direto ao ponto: a técnica não me interessa.

Por isso acho o Renascimento meio babaca. Não sei diferenciar Leonardo de Michelângelo de Donatello de Rafael, só se estiverem precisamente identificados. Não sei diferenciar Mozart, Bach, Verdi ou Mahler. Pra mim, são todos iguais entre si.

Eu entendo que gostar de Pollock não é fácil. Aliás, achava aquelas manchas um tanto quanto chatas até ver um quadro ao vivo, perceber a imensidão de alguns, o relevo que as tintas e detritos fazem e reconstruir os movimentos que o pintor fez pra pintá-los. Muito melhor que ver mais um quadro em sfumato ou chiaroscuro. São técnicos? São, mas tu viu um, viu todos.

Cartier-Bresson era mais talentoso com sua câmera do que os renascentistas com seus pincéis.

Arte é pra revelar a essência do mundo, de acordo com o seu criador.

E pra gerar desconforto.

Desconforto

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3 comentários.

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  1. semosso, 13/4/10
    1

    O Leonardo é o de faixa azul, a do Michelangelo é laranja, Donatello roxa e do Rafael vermelha.

    Agora que já tiramos a piada óbvia do caminho, devo dizer que, concordando com você, não existe nada mais horrível nesse mundo que arte barroca, com todo aquele vômito de ouro, milhares de detalhes sobrepostos, feio demás =(

  2. ChaosWarrior, 13/4/10
    2

    Em termos simples:
    Você gosta da essência de coisas que podem ser analisadas sobre uma visão macro!

    Na artes mais detalhistas, como a renascentista a essência está nos detalhes, na analise do micro! Uma tendência q vinha da era medieval. Imagine-se olhando uma pintura de Hyerominus Bosch. Vc tem um cenário geral, mas o legal são os pequenos detalhes organizados no todo.
    Cada um tem seu gosto, mas a questão aqui é de perspectiva de como enchrgar a essência das coisas.
    É como as discussões fúteis entre Punks e Metaleiros. Porra, PQP, são propostas diferentes para se expressar, mas ñ significa q uma é menos significativa q a outra.
    As vezes uma música simples diz mais q uma composição cheia de firulas!
    É como futebol, as vezes é melhor um time rápido e q toca muito do que um time q fica só fazendo gracinha em campo! Tática ganha do abuso de técnica!

  3. Beatrix, 17/4/10
    3

    que post lindo! o bacana da expressão e comtemplamento artísticos é justamente despertar essa busca pela essência, um princípio agente desconhecido que organiza nossa percepção do mundo como algo unificado. não vou escrever demais aqui porque isso vai dar um post no meu blog (esta madrugada, juro!).
    tem a ver com experiência do númeno (agora vai lá procurar as filosofadas do Kant), integração, sublimação; a minha essência dinamizada com a dos outros e com a grande essência inicial que permeia todos nós. se não houvesse o mesmo em mim e em ti, nossa comunicação seria impossível, assim como a interação com o resto do universo ;)
    e agora sim falamos de algo mais próximo de deus, como estrutura arquetípica, que as religiões todas fornecem. você pode viajar longe nisso se pegar uma linha no estilo pitagórica, que fala que é possível entrar em contato com a essência através da matemática.

    sobre o lance da técnica, métodos diferentes implicam em estados diferentes de consciência, e tem que ver as coisas no contexto em que foram produzidas. o sua atual preferência pelo minimalismo pode ter a ver com uma ânsia por vislumbrar o que existe por trás dessas manifestações tão diversas e complicadas (as firulinhas!), aspecto inerente da humanidade. o Pollock é total vazão do inconsciente sem etiquetas, uma abstração espontânea que permite um contato mais direto com essa misteriosa essência interior.

    mas chega que não tou me articulando bem e ainda vou escrever mais sobre isso.

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