No último sábado fiz um copy and paste intitulado A apologia da arrogância, mas acabei não dando minha opinião sobre o assunto.
Mais que concordar com o Marco Aurélio, concordo com Alexandre Soares Silva:
Me pergunto qual a patologia de uma pessoa que acusa outra de ser arrogante. Nunca acusei ninguém disso, nem mentalmente; de burro, sim, de idiota, de vulgar, de fresco, de cretino; mas nunca de arrogante, porque a arrogância é uma vaidade alheia que nos desagrada, uma vaidade que parece prestes a humilhar a nossa. Ninguém humilha a minha vaidade.
Daqui eu repito: ninguém humilha a minha vaidade também. A Rosana sempre dizia que eu era arrogante e prepotente, sei lá porque. Mas em janeiro, quando nos encontramos quase dois anos depois, ganhei elogios por ser mais interessante que as pessoas de Pelotas.
Os humildes. Eu, o arrogante, sou mais interessante.
Rá.
Aliás, as pessoas que se dizem humildes são os grandes arrogantes, pois gostam de mostrar aos outros que, de alguma forma, nem que seja nivelando por baixo, são melhores. Aliás, brasileiro tem mania de coitadinho. Sempre reclama que as coisas não dão certo para si por causa dos outros. No caso do Presidente em relação ao país, por causa da zelite.
Arrogantes? Venham a mim. Em geral estas pessoas são interessantes, com as quais se pode manter um mínimo aceitável de conversação. Adoro conversar com pessoas que entendem de assuntos que me interessam. Sabem de literatura, cinema, HQs, TV, ciências em geral. Eu não digo falar com um especialista no assunto. Me basta alguém que saiba quem é Peter Parker, por exemplo. Se souber como a Gwen Stacy morreu, ótimo. Se não, não há problema. Não sabe nada disso? Me conta da tua vida. Me conta uma história interessante. Adoro histórias bem contadas. O que detesto é small talk. Detesto pessoas que aparecem do nada, seja na fila do banco, no balcão do bar ou dentro do ônibus e começam
- Calor, né?
Sim, pois o small talker clássico em geral começa falando do tempo. Seja aquela senhorinha “humilde” vestindo um conjuntinho de viscose sem manga ou o estudante carente, o abordagem inicial é quase sempre igual. Aliás, talvez este seja um dos motivos desta minha (injusta) fama de antipático. Eu não consigo entabular estas conversas pequenas. Se vem alguém conversar comigo sobre o tempo, há algo em mim que faz com que eu pare de encarar o interlocutor nos olhos e comece a responder monossilabicamente.
Aliás, nestes anos de cruzada contra o bate-papo inútil desenvolvi uma técnica para evitar aproximações indevidas. Ela consiste em, além de não encarar nos olhos e responder perguntas de maneira econômica, usar fones de ouvido e segurar um livro. É o que faço no metrô. Se estou lendo, sempre uso fones de ouvido, mesmo com o iPod desligado. Assim creio que estou duplamente protegido contra os chatos.
Aliás, voltando ao assunto bate-papo. Eu gosto de bater papo. Gosto de jogar conversa fora, desde que seja um assunto interessante. As pessoas que me conhecem fora da internet sabem que sou assim. Consigo falar por bastante tempo, desde que a pessoa seja um dos tipos corretos. Mas o que é um tipo correto? Como defini-lo?
É uma questão subjetiva. Pessoas que se aproximam de mim pela primeira vez tentando falar sobre generalidades são entram automaticamente na minha lista de pessoas desinteressantes. E a probabilidade de eu voltar a falar, por vontade própria, com uma pessoa desinteressante, é muito pequena. É tão fácil como eu achar que estudar enfermagem é legal. Nestes casos, eu continuo respondendo a estas pessoas, por educação, mas provavelmente nunca as procurarei para começar algum assunto.
Mas divago, divago. Dizia eu que tenho orgulho da minha vaidade. Posso parecer arrogante, mas não sou. O que posso fazer se sou inteligente, bonito e tenho bom gosto? Eu gosto de ser polêmico. Eu gosto de falar o que penso, mesmo que me desdiga momentos depois. Como Chiquinha disse uma vez para Seu Madruga, é próprio dos sábios mudar de opinião. E eu mudo bastante.
Nunca em relação aos small talkers.
Pareço agressivo? Realmente não sou. Eu sou aquele cara que numa festa vai ficar o tempo todo no balcão do bar bebendo. Aquele que em geral ninguém dá bola, mas que se tiver um incentivo, vai começar a querer explicar rudimentos de física quântica ou porque ele acha Frank Miller mais importante que Charles Bukowski. Ou porque White Stripes é muito melhor que Led Zeppelin.
Contradição? Não acho que ficar quieto, sabendo manter conversações agradáveis seja contraditório. A maioria das pessoas não sabe se aproveitar disso. A maioria das pessoas não sabe me excitar a ponto de me fazer começar a falar. O que não é um grande problema, pois é bem provável que esta não seja uma pessoa interessante, ao menos para mim.
Mas eu dizia que era arrogante, prepotente, antipático e agressivo. Não, realmente não sou. São poucas as pessoas com quem converso de verdade. São pessoas especiais para mim. Pessoas com quem gosto de estar, gosto de conversar, gosto de contar piadas sem graça (eu conto piadas sem graça muito bem). Eu creio que esta minha fama venha do fato de eu ser elitista no sentido de escolher bem minhas companhias.
As escolho bem e depois as trato bem. Apesar de todos os pesares, depois que os destemidos passam das barreiras que imponho, descobrem que sou realmente muito mais do que pensavam, apesar do gênio ruim, dos dias de péssimo humor e das respostas evasivas do início do relacionamento.
E é isso o que me faz tão adorável.

Gian
Cansei de ouvir as pessoas dizerem que não gostavam de mim nos primeiros “tempos”…
Melhor… não cansei.
Considerações:
“Pareço agressivo? Realmente não sou. Eu sou aquele cara que numa festa vai ficar o tempo todo no balcão do bar bebendo. Aquele que em geral ninguém dá bola, mas que se tiver um incentivo, vai começar a querer explicar rudimentos de física quântica ou porque ele acha Frank Miller mais importante que Charles Bukowski. Ou porque White Stripes é muito melhor que Led Zeppelin.”
Fala sério… quem fica no bar (ou em qualquer outro lugar) bebendo sozinho sou eu. Tu pode ficar sozinho… mas não bebendo!
Además… Frank Miller é ótimo. Mas para achá-lo melhor q Bukowski tu tens de fazer parte do grupo de pessoas q não sabe ler Bukowski (e não, não acho Bukowski bom por ele ser tão boêmio quanto eu).
Qto às pessoas que vêm puxar assunto sobre o tempo… concordo q não é o tipo de pessoa que me agrada como companhia (leia-se amigo) mas, podes acreditar, há mto o que se tirar (tô falando de conhecimento e não financeiramente) mesmo de pessoas às quais tu não respeites a capacidade intelectual.
No más… sei q faço parte das pessoas com as quais conversa. Apesar de preferir não ser “especial” pra tri… (sai dessa).
Ah sim… e, obviamente, Led Zeppelin é mto melhor q WS. Até por saberem o q é uma escala…
Comentado em 19.Abr.2007
marcus
Eu nem me referia a pessoas sem estudo. Tem pessoas assim, digamos simples, que são muito interessantes. Têm histórias de vida, não de conhecimento acadêmico, muito boas para contar.
A Mari, a antiga faxineira daqui de casa, era uma dessas pessoas. Uma vez ela veio com uma história trágica de uma sobrinha dela que tava grávida e o pai da criança foi assassinado.
Numa antiga escola onde minha mãe dava aula, na Vila Esperança, tinha o marido da zeladora que era tipo um faz tudo por lá. Agora não lembro o nome dele, mas era bastante interessante pra mim, quando criança, ouvir os papos dele sobre carros e tal.
E eu respeito a maioria das pessoas. Não sou um insensível que não sabe distinguir quem teve oportunidades de quem não teve.
Comentado em 19.Abr.2007
J.
colecciono homem aranha desde os cinco anos. sei quem é o peter parker, como a gwen stacy morreu, e muito mais - era capaz de e fazer uma dissertação sobre os seus clones. as nossas conversas iam ser interessantes.
gostei do teu post. revejo-me em alguns aspectos. tenho de fazer um assim! abraço.
Comentado em 20.Abr.2007
Carla
Eu ia dizer que qualquer coisa é melhor que Bukowski, mas, apesar de morrer de vontade e estar numa fase quadrinhos novamente, eu não posso fazer uma afirmação dessas no escuro… Lerei Frank Miller e depois comentarei :P
Essa questão da arrogância é bem complexa. Eu nunca te achei arrogante, mas enfim, eu também nunca achei o Cláudio Moreno arrogante e vivem acusando-o disso.
Já me chamaram de tudo na vida; arrogante, antipática, tudo o mais. Mas também já me disseram que sou um amor de pessoa, que sou simpática. Eu, simpática? O.o
Nunca me chamaram de humilde, acho. Pelo menos não na minha frente. Eu consideraria um insulto, também odeio essa mania de coitadismo, apesar de seguido enunciar minhas derrotas. Uma coisa é constatar, outra é reclamar e não fazer nada…
(acho que comprarei a camiseta da cove, aquela escrito “perdi” :p)
Voltando ao Bukowski, eu o considero um desbocado medíocre, mas é questão de opinião, como em tudo na literatura. Problema meu se prefiro Dostoiévski, Borges, Cortázar, Sábato, Machado, Hemingway, Auster, Dumas Pai e Filho a ele.
Não é questão de saber ler, de conhecer a vasta obra da criatura: há quem goste de a, quem goste de b.
E eu sempre vou achar que meu gosto é mais refinado e que eu estou certa - já que estamos no terreno da arrogância :P
Comentado em 20.Abr.2007
Carcará
Falar sobre o tempo é uma das maneiras mais eficientes de se iniciar uma conversa (qualquer idiota tem opinião sobre o tempo) e não tem de ser, necessariamente, o assunto principal. É bem melhor que chegar em alguém na fila do banco e dizer “decifra-me ou te devoro”. Ou algo assim.
Comentado em 20.Abr.2007
trixie
haaa que preguiça, tenho muito a dizer sobre isso e esta caixa é tão lerda…
não que eu odeie small talk; eu simplesmente não sei levar uma. gosto de falar bastante, e não vejo muito o que há pra se dizer sobre as mudanças bruscas do tempo. aquecimento global? tss. as pessoas acham-me antipática porque não digo nada, quase não cumprimento semi-conhecidos (isso também é um problema da minha teimosia em não usar óculos, na verdade), mas é só preguiça extrema de iniciar um diálogo por conveniência, e para quê? não estou preocupada em mostrar às pessoas na rua como sou legal e atenciosa sem motivo algum. os meus amigos da faculdade disseram-me que no começo, quando me viram, pensavam que nunca iam conversar comigo. hoje dizem que estavam completamente errados, que sou um amor, mas que de certa maneira também faz muito sentido a minha atitude em relação à minha personalidade. não acho que seja inteiramente culpa das pessoas a falta de diálogo… as situações também não ajudam, às vezes. pode ser que você me veja um dia e eu não diga uma palavra sequer por estar tensa, ansiosa, ou com muita coisa na cabeça (ou ao pé de uma pessoa por quem sinto-me atraída…), mas geralmente tenho uma diarréia verbal nervosa, lembro de várias coisas ao mesmo tempo e vou falando, tanto que por vezes assusto small talkers. o que mais ouço como resposta é “arram”, so why bother?
também sou do tipo que perde o amigo mas não a piada, ou então digo coisas cruéis num espasmo, sem a intenção de soar cruel. simplesmente digo, porque vai ter piada. e as pessoas não percebem. mas olhando pelo lado bom, ao menos todo mundo no meu instituto de artes tem o ego maior que o campus, então… ninguém diz nada sobre arrogância. o que tem bastante é gente se atropelando porque querem falar todos ao mesmo tempo (à exceção de uns freaks nerds cuja voz ninguém nunca ouviu).
eu já disse que você é arrogante umas quantas vezes, mas na real nunca me incomodei com isso nem pensei a sério. pelo contrário: é sempre divertido. fico lisonjeada também por você ter insistido na minha pessoa, faz-me pensar que ao menos algo de interessante eu tenho - e não, não é falsa humildade, é que realmente nunca estou satisfeita comigo mesma ou com as coisas que faço. mas é mais uma motivação do que um problema. e eu adoraria se alguém chegasse pra mim na fila do banco e me dissesse, decifra-me ou devoro-te!. bom, claro que depende da pessoa, se for um daqueles mendigos com hanseníase…
Comentado em 20.Abr.2007
trixie
ok, ficou meio grande, mal aí.
Comentado em 20.Abr.2007
trixie
!
onde estão os comentários do J. e o meu outro?
medo deste blog.
Comentado em 21.Abr.2007
smurf
po eu tinha feito maior declaração de amor pra tu marcos!!!
apagou tb :(
[to falanu sério]
Comentado em 22.Abr.2007
mari
Eu também costumo não dar oi pra semi-conhecidos, especialmente na minha faculdade … e ai várias pessoas me tiram pra antipática. Mas sei lá, eu acho meio nada a ver ficar dando oi pra pessoas que eu nunca tive a chance de ter uma conversa melhor do que a temperatura dos últimos dias.
trixie, não estamos numa fila de banco mas…
decifra-me ou devoro-te :PPP
Comentado em 22.Abr.2007
éver
posso falar de mim também ??? hã? hã?…
não! melhor não! todo mundo já deve ter notado como é.
falar nisso… será que chove ?
Comentado em 23.Abr.2007
Marcia
Eu ODEIO small talkers. Mas pareço um imã deles!
Mesmo com fone de ouvido e perguntando “hããã?” a pessoa sempre me escolhe pra perguntar alguma coisa (e tentar “engatar” um diálogo) ou me param no meio da rua querendo informação (será que transpiro tanta confiança assim?).
Já houve o cúmulo de 3 pessoas virem perguntar alguma informação enquanto eu estava esperando pra almoçar, mesmo com dezenas de pessoas em volta.
Ah, gostei do blog! Vi a indicação no Querido Leitor e pretendo voltar sempre :mrgreen:
Comentado em 4.Mai.2007
A Grande Abobora » Power of Schmooze
[...] Vejam bem: ele escolheu a mim, que não gosto de small talk. [...]
Comentado em 16.Ago.2007
roberto
oi mulher melancia eu quero de comer gostosa !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Comentado em 13.Abr.2008
buldogue velho
mande-me um e-mail ….este eh meu e-mail: buldoguevelho@gmail.com….
tente ser apenas natural, o mais que possível.
e vamos ver se te acho interessante(esforço inútil???..não será!!!)
Comentado em 3.Mai.2008
marcus
Obrigado pela proposta, mas não.
Comentado em 3.Mai.2008