A pessoa é para o que nasce

21.Fev.2006 @ 11:20 pm
Arquivado em Música
GoogleNovo por aqui? Que tal assinar o feed ou receber os novos posts por email? É rápido, não custa nada e depois de um ano os posts podem ser trocados por mercadorias nas Lojas do Baú. Ou apenas dê uma olhada nos melhores posts para saber tudo de bom que já passou por aqui.

Ou não. Neste post, o Éver comenta seus primeiros contatos com a música. De ser contemporâneo da primeira geração da música popular gaúcha. Fala de um rádio AM onde tocava Nélson Coelho de Castro, além de Tim Maia e Gal Costa. Talvez por isso ele goste hoje de Vitor Ramil, Jorge Drexler e Damien Rice.

Eu, ao contrário, sou a primeira geração MTV do Brasil. O canal estreou por aqui em 1991, ano do estouro mundial do grunge. Ano de Nevermind. O grunge, como subproduto do punk que é (algum dia eu discorro sobre minha teoria que diz que o grunge e o punk pop são a mesma coisa; a diferença é que o primeiro tinha a Sub Pop e a MTV por trás), me levou a conhecer outras bandas de punk pop: Ramones, principalmente.

Apesar de eu ter passado um tempo (e hoje tenho vergonha disso) ouvindo metal, apesar de ter passado um tempo ouvindo MPB, apesar de ter passado um tempo achando que iria gostar de world music, hoje sei que o mundo dá voltas e eu volto à simplicidade dos três acordes. Seja em novas bandas punks, passando primeiro pelo Green Day e Offspring, depois por coisas mais “adultas”, como Yo La Tengo e Kula Shaker e atualmente gostando de Hives e White Stripes, eu sempre volto. eu sempre quero mais do mesmo.

E não me importo se o que ouço é sempre meio parecido. Se pra quem está de fora Strokes é igual a Killers que é igual a Franz Ferdinand que é igual a Fountains of Wayne que é igual a Libertines que é igual a Hives que é igual a algo que eu já ouvi antes e não sei onde, não me interessa. Pra mim, Lenine, Fela Kuti, Jorge Drexler, Gilberto Gil e Cesaria Evora são todos iguais. Dentro disto que se convencionou chamar de world music, só o que é realmente genial - Mutantes e João Gilberto - me desperta a atenção.

Por isso, o meio é fundamental para o desenvolvimento musical de alguém. O meio nos primeiros anos, I mean. Depois que a pessoa tende para o lado negro da força e começa a gostar do que não presta, não há como trazer de volta.

E olha que eu já tentei fazer isso.

23 Comentários

  1. Diego

    Besteira. Eu fui criado por músicos eruditos e só ouvia música clássica até uns 16, 17 anos. Pantera, lambada e Simon & Garfunkel tinham a mesma cara pra mim — música com verso, refrão e poucos acordes.

    De lá pra cá, desembestei a ouvir rock, a catar as sutilezas, distingüir black metal norueguês de black metal sueco, e assim por diante. It just happens.

    Comentado em 22.Fev.2006

  2. marcus

    E quando menos esperar, voltarás a ouvir Mozart, Chopin, Mahler.

    Comentado em 22.Fev.2006

  3. éver

    Ah ! Eu não concordo muito com isso , Marcus. Acho que tem um pouco de verdade mas no meu caso, por exemplo, isso não se processou. O que eu ouvia na infância/juventude é bem diferente do que gosto hoje. E isso, talvez, até seja a antítese daquilo. No meu caso , o que faz eu me interessar por algo é normalmente a letra. Por mais que eu goste de música, o que realmente me atrai é a palavra. Então se eu ouço uma música onde o cara fica fazendo rima com GET UP, STAND UP, MY LOVE, YEAH, LETS DANCE, PRETTY GIRL ou com papinhos de adolescente do tipo NãO TENHO REFLEXO NESTE MUNDO, VOU PEGAR MEU CARRO E CORRER POR AÍ ou EU SOU MAU E VOU TE PEGAR ou qualquer coisa do gênero, eu até bato o pezinho no ritmo da música, mas não vou passar disso. Outra coisa que me interessa bastante são os timbres… Vamos combinar, que por mais que os pedais tenham evoluído, o Rock ( Rock = generalizando estas bandas que tu citaste ) é pobre em timbres. Estes dias tava escutando ORQUESTRA POPULAR DE CÂMARA e tava pensando nisso: na riqueza de sons, no colorido que eles conseguem obter… e pensei que este modelo GUITARRA/BAIXO/BATERIA é tão pobrinho. Mas o que importa é que estas coisas eu fui descobrindo aos poucos, fui refinando, depois de bater muita cabeça escutando as bandas adolescentes da “minha época”. Têve um tempo que eu odiava João Gilberto. Até eu entender o que exatamente ele tava fazendo.

    Tá! já tá bom assim! Comentei demais, até!

    Comentado em 22.Fev.2006

  4. Gian

    Éver, por favor, não coloca estas porcarias q o marcus ouve no mesmo saco do rock’n'roll, ok?!

    De resto… bueno… são 15 pras 9 da matina e tõ no trabalho com uma planilha gigante dizendo “preencha-me, preencha-me agora”. Assim, por incrível que pareça, não tô afim de discutir agora.

    Comentado em 22.Fev.2006

  5. éver

    rock != rock´n roll

    Comentado em 22.Fev.2006

  6. Vini

    Como é engraçado essa coisa de gosto musical. Tinha , quando era guri novo, eu achava que se eu gostase Rock eu não poderia gostar de MPB ou música POP etc. Não me dava o direito disso. Então eu tinha fases rockeiras , depois trocava todos meus discos e só ouvia musica instrumental e assim sucessivamente…Hj sei que posso gostar de ouvir várias coisas, claro tem coisas que tu te identifica mais…Mas me permito ouvir varios tipos de música: gosto de The Police, Stevie Wonder( sempre gostei da música pop americana), MPB, Pat Metheny, música brega. Mas acho que isso realemente tem a ver com as coisas que tu escuta na tua infância: falando em rock … eu nunca gostei de rock progresivo…mas achava legal bandas que tinham o vigor do e a simplicidade punk aliados a uma sofisticação musical, como o The Police

    Comentado em 22.Fev.2006

  7. marcus

    rock != rock´n roll

    Finalmente alguém com discernimento.

    Comentado em 22.Fev.2006

  8. Gian

    “rock != rock´n roll”

    Não entendi o q está escrito acima. Por um acaso o “!=” é para ser um “diferente de” ?!

    Comentado em 22.Fev.2006

  9. marcus

    Sim. Em algumas linguagens de programação, != tem o mesmo significado de ≠.

    Comentado em 22.Fev.2006

  10. trixie

    acho que todas fases musicais pelas quais passamos sao validas. elas nos ajudam a descobrir de que realmente gostamos e o que reflete melhor nossas opinioes e sentimentos. o meio nos da algo de primeira, e podemos aceitar ou nao. quando somos crianças, nao temos muita escolha; é aquilo e acabou, nao sabemos que existe todo um mundo la fora e uma gama de opçoes para se ouvir e escolher. quando crescemos um pouco mais e passamos a frequentar outros ambientes que nao a nossa propria casa, entramos em contato com outros mundos, e é ai que começa a verdadeira formaçao. o que ouviste na infancia pode até influenciar um pouco por costume, mas pode muito bem criar uma aversao. eu, por exemplo, nao cresci ouvindo nada, por incrivel que pareça. minha mae nunca ligou pra musica (pelo menos nao ate eu me tornar adolescente) e nunca convivi com meu pai. o que aconteceu? boybands. era o que estava mais acessivel, e eu, com meu cerebro infantil, achava que era a unica coisa do mundo. ate que percebi que minha tia gostava de uma banda da qual todos falavam - beatles. eu pensava que era sinonimo she loves you e i wanna hold your hand, mas quando peguei o revolver na casa do meu pai so de curiosidade, levei uma martelada na cabeça. que diabos é isto?, pensei. e na hora aquilo me tocou.
    beatlemaniaca durante 2 anos inteiros, eu fui. nao ouvia outra coisa. é tanto para se absorver que ficas compenetrado naquilo. como diz minha tia, beatles nao é banda, é doença. e ela tem toda a razao.
    …e foi entao que conheci white stripes. eu tinha 13 anos, em 2002. fell in love with a girl e esta coisa toda, we’re going to be friends. foi um professor meu do cultura inglesa que me apresentou. ele morou nos estados unidos durante um tempo e viu um show deles, gostou, virou fan. e desde entao passa pra todas as classes que ele da aula. eu tive a sorte de estar numa destas classes, e foi este o meu primeiro contato com o mundo ‘alternativo’. a partir dai a minha curiosidade so aumentou, e quando mais eu descobria, mais eu queria. a internet foi outro fator fundamental para isto; sem ela, nao conheceria nem 1/60 do que conheço hoje. a segunda banda que veio foi belle & sebastian. carinho todo especial por ela, até hoje me emociono quando ouço. o mesmo com white stripes.
    nunca gostei muito de rock progressivo. so algo de pink floyd (da era barrett) e olhe la. nao tenho paciencia, nao mesmo. eu gosto de musica classica porque toco piano. ultimamente nao ando com paciencia pra ela também, mas so pra ouvir. quando estou a tocar é maravilhoso.

    mas enfim, ninguém é 100% algo. tem varias facetas que compoem o teu gosto musical e é dificil entender cada uma delas. eu ja desisti de tentar.

    (merda, escrevi muito, sou uma pessoa enfadonha.)

    Comentado em 22.Fev.2006

  11. éver

    “!=” também pode ser “”

    Comentado em 22.Fev.2006

  12. éver

    iii… não apareceu o sinal de menor e maior

    Comentado em 22.Fev.2006

  13. J.

    indie praticamente não existe. o significado que vocês dão a indie no brasil não tem paralelo com o significado de indie no reino unido e resto da europa. exemplo: para o marcus, white stripes é indie. para mim é indie só se for no rabo. white stripes não tem nada de indie, os clips deles passam na mtv e são mais conhecidos que as mães. mais ainda, são rock, mais propriamente, rock revival,não indie. indie é uma espécie de sub-pop que se caracteriza por ser indie pelo seu carácter mais undeground: os vídeos da banda, se passam, são raros e em canais marginais, sempre - não passam bandas indie na mtv, isso é impossível. pelo menos no nosso entender da palavra indie cá na europa. o mesmo se pode aplicar às bandas que o marcus ouve. são brit-rock e brit-pop, não são indie - isso é mais que certo.
    mas bem, são posições, um dia posto algo sobre isso.

    Comentado em 22.Fev.2006

  14. marcus

    WS é uma coisa que dificilmente passa na MTV daqui. Franz Ferdinand virou, do final de 2004 pra cá, pop. Oasis, Green Day, Smashing Pumpkins, Nirvana, Pearl Jam e U2, por exemplo, também são pop (ou brit pop, grunge, whatever). Mas existem bandas das quais nunca se vê clipes passarem: Teenage Fanclub, Libertines, Pulp, Ash, Art Brut, LCD Soundsystem, Jon Spencer Blues Explosion, Afghan Whigs, Placebo, Death From Above 1979. A MTV daqui prefere passar dez vezes Simple Plan, Good Charlotte e My Chemical Romance (que pra mim são três bandas iguais) que passar bandas uma vez o vídeo novo do Richard Ashcroft.

    Não é que eu tenha uma concepção diferente (ou não saiba) do que é indie (independent): é que aqui, muitas bandas que talvez sejam médias por aí, são relegadas a uma posição de destaque inferior.

    Comentado em 22.Fev.2006

  15. marcus

    Copia o código fonte: <>

    Comentado em 22.Fev.2006

  16. J.

    , por exemplo, também são pop (ou brit pop, grunge, whatever). Mas existem bandas das quais nunca se vê clipes passarem: Teenage Fanclub, Libertines, Pulp, Ash, Art Brut, LCD Soundsystem, Jon Spencer Blues Explosion, Afghan Whigs, Placebo, Death From Above 1979.

    as nossas mtvs nao pdoem ser iguais. ou entao tu nao estas a ver os programas certos as horas certas. claro que de dia nao passa mais nad a nao ser hip-hop e simple plan e etc, essas cenas todas, mas de noite, em programas tematicos e a partir da meia noite é lugar comum bandas destas que referiste. placebo aqui passa na mtv razoavelmente (ou passava, na altura do album) e nas televisoes nacionais por cabo tambem, na parte de videoclips.

    não sei, talvez tenhamos mais sorte, mas nos primeiros meses ao get thee behind me satan via clips dos white stripes duas vezes por dia, quase.- por exemplo.

    Comentado em 22.Fev.2006

  17. J.

    mas tambem tu tenhas mais azar porque nós temos aqui em portugal vários canais por cabo, sendo o melhor deles a sic radical, e têm um progrma adiário que se chama o max musica e que oassa so videoclips, percebes, e so passa bandas dessas, nada de comercialismos, so cenas menos conhecidas percebes, e nisso de facto aho que emos sorte. e dantes a idna tinhamos o sol musica, mas que acabou, e o pessoal de facto queixou-se muito, bastante mesmo, que tambem so passava bandas dessas. ao fim e ao cabo para voces, bandas europeias porque estao fisicamente mais longe nao sejam tao conhecidas, mas aqui bandas das que referes e até amereicanas passam com relativa frequencia (nada que se compare a simple plans e good charlottes por exemplo, mas tambem passam)

    Comentado em 22.Fev.2006

  18. trixie

    o j. tem razao.
    marcus, assiste a mtv de madrugada que vais ficar fascinado.

    Comentado em 22.Fev.2006

  19. trixie

    (ou enojado, nao sei. a mtv passa sim todas essas bandas que mencionaste.)

    Comentado em 22.Fev.2006

  20. marcus

    Bia e João, este é o problema. No meu tempo (e isso não faz tanto tempo assim; era assim até a época do Kid A) existia um programa nos sábados à tarde da MTV Brasil chamado Lado B. Neste programa a emissora exibia clipes destas bandas que eu gosto. Inclusive foi neste programa que eu descobri que o maior hype de todos os tempos da música alternativa, os tais Pixies, destruíram Head On do Jesus and Mary Chain gravando uma cover da música.

    Hoje é impraticável pra mim (exceto nas férias) assistir TV de madrugada. Eu precisava de um novo Lado B por aqui.

    Ou então uma MTV2, como nos EUA.

    Comentado em 22.Fev.2006

  21. J.

    huuum mas eu também só vejo televisão de madrugada aos fins de semana, ou nas férias. o que se passa é que de dia também não tenho muito tempo para ver a mtv, porque uma pessoa tem uma vida naturalmente ocupada, ou seja, os programas que vejo são sempre aqueles 3 ou 4, noutros canais, a horas certas, porque não os quero mesmo perder e porque tenho a sorte de estar em casa quando passam. mas o lado B desapareceu por uma simples razão: criou-se a mtv 2 que so passa bandas mais alternativas, como as que mencionaste, e mais. aqui há a mtv 2 mas tens de pagar uma taxa à parte para teres acesso a ela, e estou a ver se conveço o meu pai a fazer isso…
    a partir da meia noite, todos os dias, temos uma hora de musica temática na mtv em portugal. segunda feira é a mtv yo (só hip hop, pff…) terça é o super rock (e é muito, muito bom, passam de tudo, mesmo, no sentido de cenas mais alternativas, incluindo muito white stripes e às vezes coisas que eu nem conheço, não te deixes enganar pelo nome) , quarta é o brand new (que não é brand new, é apenas musica mais para os teus lados, projectos alternativos e menos conhecidos de bandas mais pop e mais calmas que no dia do super rock…sim white stripes por evzes passam por lá. já lá vi distillers, não é raro. ou seja super rock e brand new é a mesma coisa) quinta temos o headbangers ball (só metal, e tem bastante qualidade), e sexta party zone, só musica de dança. portanto da meia noite à uma da manha aqui, tirando segunda e sexta, só passa boa música.

    Comentado em 23.Fev.2006

  22. éver

    Austin P.: Será o Kid A uma homenagem à Paula Toller ?

    J: a MTV brasileira está se especializando em programas de auditório e contratação de modelos ( aquelas de passarelas ) como VJs.

    Comentado em 23.Fev.2006

  23. trixie

    estavam com um projeto de trazer a mtv 2 ca, mas nao sei se ainda estao tentando ou se desistiram.

    o lado b era otimo. voltou a passar ha uns tempos, mas so durante 15min. nas madrugadas de quinta, ou seja, praticamente nada. agora foi extinto de vez.

    j, a mtv brasileira, de dia, é insuportavel. como disse o éver, sao programas de auditorio (e a daniela cicarelli ja passou por todos ¬¬), reality shows, ou entao miscelanias de hip hop com boybands e emodinhas. nao tem esta subdivisao que tens em portugal, mas em compensaçao temos a madrugada quase toda de clipes bons. uma vez ou outra passa um de rap, ou hip hop, mas é insignificante. outro problema é a repetiçao, acho que a mtv brasileira nao tem um estoque tao grande assim como se pensa.

    mas pelo menos, definitivamente, é melhor que a mtv latina. urgh.

    Comentado em 23.Fev.2006

Deixe seu Comentário: