A Mentira dos Dez Mandamentos

Os dez mandamentos são uma grande mentira. No post anterior, comentei que nossa moral não vem da religião. Se ela não vem da religião, muito menos vem dos dez mandamentos. E agora vou exemplificar isto.

Tomemos por exemplo o mandamento Não Matarás. Muito bonito, ele dá a entender que toda a vida é sagrada e que não devemos retirá-la de nenhum ser humano.

O que quase ninguém sabe é que tal mandamento proíbe o assassinato de judeus. Judeus não podem matar judeus. Filisteus, como Golias, estão liberados para o abate. Cananeus também. Aliás, todos os provenientes das outras cinco tribos também podem ser mortos sem remorso algum pelos judeus. Tome, por exemplo, a passagem encontrada em Números 31, 15-18:

E Moisés disse-lhes: Deixastes viver todas as mulheres?
Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, deram ocasião aos filhos de Israel de transgredir contra o SENHOR no caso de Peor; por isso houve aquela praga entre a congregação do SENHOR.
Agora, pois, matai todo o homem entre as crianças, e matai toda a mulher que conheceu algum homem, deitando-se com ele.
Porém, todas as meninas que não conheceram algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós.

Em resumo: matem tudo e a todos, exceto as mulheres virgens. Delas nós vamos nos aproveitar.

George Carlin, comediante americano falecido há alguns meses, também não acreditava nos dez mandamentos. Em uma de suas mais famosas esquetes, ele diz o que realmente pensa destas leis. O vídeo está abaixo, infelizmente sem legendas.


Link para o vídeo

Para quem não pegou o áudio, a tradução de uma das melhores partes:

A religião convenceu mesmo as pessoas de que existe um homem invisível – que mora no céu – que observa tudo o que você faz, a cada minuto de cada dia. E o homem invisível tem uma lista especial com dez coisas que ele não quer que você faça. E, se você fizer alguma destas dez coisas, ele tem um lugar especial, cheio de fogo e fumaça, e de tortura e angústia, para onde vai mandá-lo, para que você sofra e queime e sufoque e grite e chore para todo o sempre, até o fim dos tempos… Mas Ele ama você!

Faz sentido, não? Outro fato interessante é que nem Jesus honrava pai e mãe:

Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.
Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.
Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;
Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.
Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.

Trecho retirado de Mateus 10, 32-38.

Destaque especial para a parte

Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;

Mensagem um pouco raivosa para um hippie fracassado, não?

A Bíblia, como sempre, nos presenteando com suas mentiras…

Ou melhor, com suas histórias que devem ser interpretadas.

Mas se eu devo escolher o QUE interpretar e COMO interpretar, qual a diferença entre jogar tudo isto fora, não acreditando em nada, e simplesmente criar minhas próprias regras?

A meu ver, nã existe nenhuma diferença. Aliás, é exatamente isto o que teólogos e padres fazem. Dizem no QUE devemos acreditar e COMO acreditar.

“Mas eles têm mais experiência”, alguém pode dizer.

Sim, eles podem até ter. Mas a partir do momento em que se usa uma obra como justificativa para si mesma, as coisas não fazem sentido. Ou tu acredita na Bíblia como um todo ou não acredita em nada. Escolher o que se deve acreditar é muito conveniente. Assim, até o Mein Kampf vira um livro de cabeceira. É como naquelas clássicas provas para a existência de Deus, das quais traduzo algumas:

  1. Argumento transcendental
    (a) Se a razão existe, então Deus existe
    (b) A razão existe
    (c) Logo, Deus existe
  2. Argumento cosmológico
    (a) Se eu digo que algo deve ter uma causa, este algo tem uma causa
    (b) Eu digo que o universo deve ter uma causa
    (c) Então, o universo tem uma causa
    (d) Logo, Deus existe
  3. (a) Eu defino Deus como X
    (b) Como eu posso conceber X, X deve existir
    (c) Logo, Deus existe
  4. (a) Eu posso conceber um Deus perfeito
    (b) Uma das qualidades da perfeição é a existência
    (c) Logo, Deus existe

Religiosos, assim como as provas acima, adoram argumentos circulares. Não se pode usar a conclusã como premissa para provar um argumento.

Mas talvez isto seja muito difícil de entender. Afinal, um povo que lê o mesmo livro há 2000 anos, sem uma única atualização, não deve ter lá muita intimidade com a lógica.

Update: vídeo do George Carlin legendado. Dica do théo.

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27 comentários.

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  1. mariane, 27/8/08
    1

    esse George Carlin é mto engraçado !

  2. théo, 27/8/08
    2

    Ô, Marcus, só uma dica: Procura no http://mynameis.com.br o vídeo legendado desse stand up aí. ;]

  3. Hamilton, 27/8/08
    3

    “Ele te ama e precisa do teu dinheiro!”, video bom esse hein. Esse cara deve ter sido perseguido e amaldiçoado até o fim dos dias.

  4. M.K., 27/8/08
    4

    Espero que esta série de textos religiosos continuem. Estão muito bem escritos.

  5. Gustavo, 27/8/08
    5

    “O Cristianismo consiste na crença de que existe um velho que mora no céu e tem poder pra tudo, pode estar em qualquer lugar e saber tudo o que acontece em todos os lugares, em todos os tempos e infinitamente. Esse velho barbudo fez o nosso Universo e tudo o mais surgir, inclusive criou a gente assoprando um monte de terra no chão. Até que um dia uma cobra falante disse à primeira mulher do mundo para que ela comesse uma maçã, então ela comeu e o velho criador ficou com raiva e fez toda a humanidade até hoje sofrer por causa da maçã. Depois disso ele matou um monte de gente e mais um pouco, encheu o planeta de água e matou mais alguns. Até que um dia ele mandou uma pomba, que na verdade era ele, engravidar uma mulher. Aí então o filho dele, que também era ele, nasceu. Esse menino, chamado Jesus, tinha vários poderes como transformar água em vinho, ressuscitar as pessoas, tirar demônios (que são os vilões da história) de dentro das pessoas, etc. Jesus cresceu e por diversos motivos resolveram matar ele crucificado. Após a crucificação, ele volta a vida e sai voando para o céu, aonde seu pai e a pomba (que na verdade são ele) estão. Hoje em dia você deve ir até um lugar aonde as pessoas vão pra falar psiquicamente com os três (que na verdade são o mesmo), e dependendo do lugar, você pode comer uma espécie de bolachinha ou pãozinho que após passar pela magia do pastor/padre se transforma na carne de Jesus. Fazendo isso e enviando mensagens telepáticas para eles o tempo todo, quando você morrer, sua alma, que é você só que transparente, vai voar até o céu e você vai viver nas nuvens junto com os três (que na verdade são um).”

  6. trixie, 27/8/08
    6

    *sigh*
    sim, é tudo um grande absurdo, marcus, e os religiosos são todos ignorantes, irracionais, ou golpistas, controladores. até aí nenhuma novidade, certo? acho que todo mundo aqui sabe que a ciência é que impera, ao menos para mim é bem claro, você não nos precisa convencer disso. não afirmei nenhuma vez que a religião detinha respostas para o universo, no máximo sobre nós mesmos e nossa relação com o mundo através dos tempos. pelo contrário; é a resolução de um mistério por outro mistério, como disse alguém uma vez. é muito fácil ficar analisando tudo sob esta óptica já cansada, muita gente já criticou a religião e demonstrou cada pequena contradição bíblica. os crentes não vão sequer te ler, e os que pensam como você (ou seja: consideram tudo uma babaquice sem sentido, coisa de primitivos)acrescentam uma ferroada ou outra. e que diferença faz, então? olha-me só o título sensacionalista, “a MENTIRA dos dez mandamentos”. já disse, como estudante de arte sacra não concordo com esse método de abordagem e não me sinto nem mais motivada a fazer qualquer comentário sobre o assunto, sabendo que ele vai ser completamente desconsiderado. mas vamos lá: e por que o Mein Kampf não pode também ser livro de cabeceira? eu já o li todo e por acaso é bem interessante, assim como uma biografia densa do Führer e milhares de livros sobre o III Reich. era fascinada particularmente pelo dr. Josef Mengele. assim como ando correndo o risco de ser tachada espiritualista ou até mesmo religiosa, quando era menor chamavam-me nazista porque gostava do assunto (e eu dizia, não é preciso ter câncer para estudar a doença). até Hitler, querido, tinha seus pontos positivos, que não eram poucos. interesse não é apologia; e saber aproveitar o que há de melhor em conceitos que vão desde o cristianismo até o darwinismo social não é nenhum disparate. escolher no que acreditar é tudo menos conveniente, porque exige mil vezes mais estudo e comparação, ao invés de se ater cegamente a um conjunto de ideias que sabemos não ser válido no princípio da razão.

  7. Philipe DuLac, 28/8/08
    7

    Engraçado o vídeo. É um bocado forçado o que ele diz, mas eu ri bastante. Já o conhecia, mas não havia tido a chance de ver com legendas. Inclusive eu passei uma vez pra um amigo cristão, só pra tirar uma com a cara dele. O rapaz ficou revoltado! :P E olha que ele mal sabe inglês.

    O comediante morreu? Num sabia disso… é uma pena

    Mas, se for levar realmente a sério, entra o mesmo que falei antes para os seus posts prévios. O cara só fala da Bíblia, como se ela fosse a única e possível religião no mundo. Claro que dá pra encontrar erros nas outras também, não estou dizendo que são perfeitas. Mas acho ridículo ignorá-las como se não existissem… Acaba num argumento mal-feito, não pensado e cheio de furos. Furos tão absurdos ou mais do que a própria lógica linear da Bíblia.

    Até uma crítica tem que ser bem montada. Senão vira agressão gratuita, preconceito bobo.

    Se é pra falar mal da política, fale de todos os partidos. Se é pra falar mal do futebol, de todos os times. Mas fale sabendo do que está falando.

    E Spinoza era panteísta, não ateu :P huhuehueuhe
    *Repetindo só por que não teve resposta lá.*

  8. marcus, 28/8/08
    8

    @Philipe DuLac

    Que Spinoza era panteista eu sei, ate’ porque na epoca dele, era muito dificil ser ateu. Por exemplo, dizem que Thomas Jefferson era ateu, mas tinha medo de assumir.

    Apos terminar esta serie de posts, vou publicar um textinho basico, explicando porque deixo voces, ‘as vezes, no vacuo.

  9. Kid, 28/8/08
    9

    Cristãos (especialmente os americanos) têm o costume de racionalizar o “não matarás” dizendo que ele diz na verdade “Thou shall not murder” ao invés de “Thou shall not kill”, porque “murder” é assassinato sem motivo ou provocação e bla bla bla bla bla

    Aí tu pergunta o que a população de Jericó fez pra provocar o genocídio e eles ficam com cara de retardados sem ter como te responder.

  10. Kid, 28/8/08
    10

    Um dos melhores argumentos pra deixar crentes totalmente sem graça é o que segue:

    “Qual foi o objetivo da vinda de Jesus à Terra?”

    Alguns dirão “pra salvar os homens”. Entretanto, já havia uma maneira dos homens serem salvos antes. Ou o interlocutor sugere que Moisés, José (o dos doze irmãos, não o pai de Jesus), Isaque e outros personagens bíblicos clássicos estão queimando no colo do demônio? Logo, a vinda de Jesus era desnecessária, já havia salvação.

    Alguns diriam que ele veio “pra acabar com o pecado”, o que torna a missão dele aparentemente ainda mais fracassada. Dois mil anos depois, as pessoas ainda pecam bastante – alguns líderes cristãos gostam de alarmar as suas comunidade alegando que nunca se pecou tanto quanto hoje em dia.

    As canções de natal sugerem que Jesus veio pra trazer paz aos homens. Se você considerar o número de conflitos religiosos inspirados na doutrina bíblica, isso se torna ainda mais risível.

    Resumindo – Já havia uma forma de salvação antes da vinda de Jesus, ele não trouxe paz, e nem “destruiu o pecado”. Pra todos os fins e propósitos, a terra continua da mesma maneira (espiritualmente falando) antes e depois da vinda de Jesus.

    Ipso facto, Jesus = fail.

    Me inspirei tanto por essa tua série que voltarei a falar de religião no HBD :D acho que o último texto que escrevi sobre o assunto foi em 2005. Vou adaptar a retórica deste comentário :D

  11. Philipe DuLac, 28/8/08
    11

    Einstein diz que o deus dele era o de Spinoza, ao invés de dizer que era ateu. Por isso acho que sua interpretação daqueles trechos que colocou nos comentários do post anterior não estava correta.

    Na época de Einstein era muito fácil se dizer que era Ateu.
    E você deve saber que ateus costumam gostar tanto de pregar sua “crença” quanto os ditos crentes. O próprio exemplo é você mesmo ter se preocupado em fazer esses posts. Talvez na intenção de “trazer a luz para os que estão nas trevas”…

    Agora, você dizer que ele era panteísta porque era difícil ser ateu, é sua interpretação. É possível, sim, estudar aprofundadamente as questões do universo sem perder a crença num algo místico maior. Afinal, toda essa bagaça de existência veio de algum lugar.
    Dizer que veio de algo místico é uma das teorias. Dizer que veio do nada ou dizer que sempre esteve ali soam tão absurdas quanto, se eu tentar olhar imparcialmente, sem colocar minha opinião.

    Fora as questões filosófica-espirituais, como a percepção de si mesmo (ego) e de pr’aonde vai essa percepção depois da morte.

    Nossa ciência não provou a inexistência de Deus. Seja na visão mono, poli ou panteísta. Não é ilógico crer no divino.

    Dizer que os ateus tem razão só por que um livro escrito _por homens_ sobre _uma_ religião tem seus furos, é que parece não ter lógica alguma, pra mim.

    O ponto que quero chegar é que “dizer que religião ou crença em algo maior é o mesmo que burrice”, é preconceito.

    Quanto a mim, eu sou só o típico cara que gosta de história e que resolveu jogar RPG a uns 12 ou 13 anos atrás. A curiosidade me levou a estudar a origem do cenário, me levando a Senhor dos Anéis e literatura do gênero.
    E a mesma curiosidade me levou a buscar a origem dos mitos do livro, indo à pesquisa de religiões diversas. E com isso ganhei um respeito muito grande pelas religiões e mitologias, assim como pela cultura dos vários povos.

    Não que alguém tenha perguntado, claro, mas só quero me identificar pra saberem os motivos de meu ponto de vista.

  12. Philipe DuLac, 28/8/08
    12

    E, comentando o comentário da Trixie…

    Esse tipo de respeito imparcial (Capacidade de respeitar algo mesmo discordando, como ela e a literatura nazista*) é que falta no mundo.

    Pra mim ateus militantes são tão incômodos quanto as testemunhas de jeová que vieram tocar na minha porta no último domingo de manhã. Tive que dizer “Eu sou budista” pra eles cortarem o discurso no meio e irem embora.
    Se eu não estivesse com sono, ia fazê-los ouvir tudo que já falei aqui.

    *Vale lembrar que respeitar a literatura nazista não é o mesmo que aceitar os crimes cometidos em nome dessas idéias.

  13. trixie, 28/8/08
    13

    Philipe, você disse tudo o que eu estava tentando dizer. o que me parece por aqui é uma militância ateísta mesmo, desespero até meio egóico em pregar um ponto de vista, ao invés de apresentar o assunto sem afetamentos – o que deixa a qualquer um tão cego e radical quanto um fanático religioso. e por acaso muito da minha curiosidade começou também com senhor dos anéis, sei até escrever com tengwar, passei daí à mitologia nórdica e ao estudo de línguas… a curiosidade sempre me levou de uma coisa à outra, às vezes passando pelo extremo oposto e voltando ao ponto de partida, o que me fez ter uma visão imparcial dos objetos de estudo. respeito a literatura nazista, como a escolástica medieval e a religião do antigo egito. não que alguém tenha perguntado, também.

  14. Nayara, 2/9/08
    14

    Sempre achei que esse argumento sobre ateus serem tão chatos quanto crentes bem questionável. As pessoas estão acostumadas a ouvir os crentes pregando suas verdades absolutas e todas as dicussões sempre partem do pressuposto de que deus existe.

    Dessa forma sou totalmente a favor da dita “militância” dos ateus em “pregarem” as verdades e acabarem com essa hegemonia maluca vinda dos crentes. Se é para ter nego pregando e torrando, que pelo menos seja algo de igual para igual. Os ateus tem mesmo é que espalhar e pregar contra qualquer tipo de religião, e tenho dito.

  15. Tiago Andrade, 3/9/08
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    Sensacional esse vídeo! Talvez ajude a acabar com a visão ruim que a sociedade tem dos ateus.

  16. Joao Caldeira, 4/9/08
    16

    Os dez mandamentos, não passam de uma transcrição do Livro dos Mortos (na civilização egipcia, este livro foi criado muito tempo atras do Cristianismo) no qual dizia: Eu nao matei, passou a ser, eu nao matarei; Eu nao roubei, passou a ser, eu nao roubarei; e continua sempre assim.
    Se quiserem ver o filme que fala sobre a mentira no mundo vejam neste site: http://video.google.com/videoplay?docid=-2282183016528882906.

  17. Matheus Santos, 5/9/08
    17

    - Velho Testamento não é base para a Igreja.

    - Havia salvação para os judeus, não para o resto do mundo. Eles eram o povo escolhido por Deus.

  18. L. Brino Shaw, 9/9/08
    18

    Que tal esquecer o Velho Testamento? Aponte seus argumentos para o Novo Testamento, please, senão, só os judeus serão atingidos. Eu, como cristão, também quero ser contestado em minha fé. Adoro ser contraposto, é ouvindo o que não se quer, que se exercita o pensamento e se aprende alguma coisa. O Velho Testamento é a primeira fase da aliança do homem com Deus. É Deus pessoalmente fazendo as coisas. Não há nada demais em Deus destruir o quê ou quem Ele queira, afinal Ele é o criador. Essas citações dos livros de Números, Levíticos, etc, dão sono em um cristão. Não existe esse negócio de acreditar em toda a Bíblia ou em nada, há fases diferentes da história da humanidade em que Deus mesmo sendo o mesmo, age de modo diferente, assim como você é o mesmo, mas trata seu filho de 3 anos de uma forma e o mesmo filho quando tiver 30 anos de forma diferente. Experimente demonstrar alguma maldade de Jesus, que então podemos conversar (ou demonstrar algo mais nobre que um modo de vida baseado no amor e no perdão, que era o que preconizava o Cristo: “amai vossos inimigos, rezai por quem vos persegue”). Em Jesus – que é Deus tornado humano – as regras ficam simples: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Entre Deus e seus pais, você deve escolher Deus. Então, não há nenhuma desobediência de Jesus ao 4º mandamento. Ele dizia que se deve priorizar Deus. É evidente que há que haver uma hierarquia. Se você tem dois pais, um na terra e outro no céu, quem você deve obedecer acima de tudo? Você, por exemplo, que é ateu, elege a sua razão como seu deus e é a ela (a razão) que você obedece acima das ordens de seu pai da terra ou não?

    O grande erro da filosofia escolástica foi justamente usar a lógica para provar a existência de Deus. Isso é besteira, pois tudo o que pode ser provado com a lógica pode também ser negado com a lógica, pois Deus, como dizia Walt Whitman, se contradiz porque é vasto. Se entendêssemos todo o mistério divino, não seria mistério. Então, quando você demonstra um paradoxo lógico (como a onisciência de Deus e o livre-arbítrio serem excludentes) é porque não pensou suficientemente sobre o assunto. Um escritor de ficção, por exemplo, sabe tudo a respeito do livro que vai escrever, tem toda a história em sua mente e quando vai executá-la é muito normal que as personagens tomem rumos que o autor não planejara no começo. Lembro de entrevistas de Jorge Amado falando de personagens que ele queria matar, mas não conseguiu, o personagem, dizia ele, simplesmente “não queria morrer”. Se até personagens de ficção tem sua “liberdade”, imaginem nós de carne e osso. Porém, Deus não está no tempo nem no espaço. Claro que ele vê tudo e pode interferir se quiser. Não vou me alongar aqui, você encontra esclarecimentos a essas dúvidas em livros de C. S. Lewis (especialmente aquele sobre milagres e no “cristianismo puro e simples”) e de G. K. Chesterton (especialmente Ortodoxia, “Everlastin Man”, Heretics) só para citar dois escritores divertidíssimos. Quer argumentos pesados contra os mitos do Gênesis? Leia “A interpretação do Gênesis” de Richard Dawking?!?!? Não, de Santo Agostinho. O santo pega pesado nas contradições do primeiro livro sagrado, pois, Santo Agostinho, era muito mais amigo da verdade do que do autor do Gênesis (provavelmente alguém do templo de Salomão). O problema dos ateus é que não lêem os grandes autores que se contrapõe a eles, ficam só espumando como fanáticos. Na verdade, há pouco grande autor que fala diretamente contra o ateísmo, pois o ateísmo é coisa que nunca se levou muito a sério (jamais existiu qualquer sociedade de origem laica e as tentativas de Estado ateu resultaram em quase 200 milhões de mortos, coisa que a história inteira da religião jamais causou, embora quando um religioso – um cristão, pelo menos – mata, ele está desobedecendo a sua religião, não tem sentido atribuir tal morte à religião e sim à falta dela). Ateísmo é como comunismo (o tal regime ateu genocida): é falta de ler os livros certos. Para entender a Bíblia (e todos os livros sagrados) é preciso certa dose de santidade (imagine que graça um troglodita veria no Tao Te King? Ou que importância um ogro daria a uma sonata de Mozart? O problema aí é do troglodita e do ogro, não das duas obras), então pode nos ser útil conhecer a interpretação que os santos deram à Bíblia, para suprir a nossa própria falta de santidade ao ler a Bíblia. Ao Kid, recomendo a leitura da obra de René Girard, ali há uns insights muitos bons das razões de Jesus ter vindo à terra, não essa salada que ele fez em seu comentário.

  19. Renê, 10/10/08
    19

    Numa análise sincera, observamos que as Testemunhas de Jeová, tem chamado a atenção de muitos observadores, críticos e eruditos, pela forma como se coloca com relação a sua doutrina e seus mecanismos para se cercar de proteção, dando especialmente aos que se consideram críticos construtivos, um novo enfoque no que diz respeito a adorar ‘O Deus Supremo e Criador’ de todo o universo, em cujo contexto está o planeta terra e em essência o homem.
    Trata-se de um assunto que se avoluma para um controvertido debate, isso até por questões de razões na prática, da vida real, de natureza humana e psicanalítica no contexto religioso mundial.
    É sabido de todos nós que as Testemunhas de Jeová demonstraram, demonstram e pelo que nos parece ainda demonstrarão sem desistência, que a Bíblia precisa ser encarada com grande seriedade, não apenas como algo a se apegar; mas como que fazendo parte do ser humano individualmente; como se fosse o alimento e a água para não morrer de fome e sede – indo mais longe – para mantê-lo vivo desde já, e mais adiante diante de previsíveis grandes mudanças no cenário mundial que avança impetuosamente somando-se à isso o envolvimento da humanidade. E pelo visto, é inconfundivelmente notória, a postura delas quanto as suas crenças e convicções, se corroboradas, através dos eventuais acontecimentos e fatos mundiais evidenciados ao longo das eras.
    Vale apena ressaltar, que os prováveis membros Testemunhas de Jeová, só podem se adequar como sendo tais, se ‘estritamente’ acreditarem estar seguindo os conselhos e orientações da Bíblia, bem como aos que ela aponta como os usados por Deus qual encaminhadores rumo a salvação seguido da vida eterna. Essa ótica pelo que nos parece, não necessariamente deve ser atribuída a frutos de sentimentos como; prepotência ou presunção; pois no que tange a uma avaliação bíblica bem fundamentada, torna-se evidente que o que se presume nas suas posturas e convicções demonstradas em termos de doutrina, é biblicamente aceitável, segundo o ponto de vista do Supremo Universal.
    Isso, admitidamente, por si só, tem sido objeto de preocupação para as demais denominações e suas autoridades religiosas em todo o globo.
    As Testemunhas de Jeová, de forma extraordinariamente abalizadas, tem ido ao extremo em mostrar que literalmente, Deus é indivisível não só por ser único – desvinculado das doutrinas trinitárias – mas também, por ter um só caminho e uma só religião na Terra, capaz de conduzir pessoas para receber vida eterna; ainda que exemplarmente elas mesmas, passem por uma rigorosa inspeção e seleção divina.
    Inusitadamente, tem-se observado que os que se mantém firmemente como membros ao longo de suas vidas – ou até a morte, mostraram literalmente o exercício da chamada perseverança, qual atributo vital, delineado na Bíblia, objetivando a salvação. Quanto aos desistentes, tem sido do conhecimento dos eruditos que eles estão tentando de alguma forma orquestrada, se organizar para desacreditar – a começar pelo núcleo – as Testemunhas de Jeová e suas fileiras, bem como por coibir mundialmente as suas atividades ministeriais e doutrinárias – o que se apresenta porem, sem nenhum resultado aparentemente significativo.
    Desta forma, As Testemunhas de Jeová, inquestionavelmente, se apresentam como a maior dentre todas as organizações do mundo, que se mantém pela sua força unificadora, compatíveis com a fé e a perseverança, em conformidade com as escrituras, mesmo em tempos de visíveis instabilidades estruturais, organizacionais e doutrinárias entre as outras denominações, especialmente agora em que vivenciamos momentos de grandes turbulências na esfera de todo o sistema global que com certeza, se encontra a beira de um terrível caos.

  20. CARLÃO MATA, 9/12/08
    20

    este personagem aí do teu blog, é o Linus e assim como o seu criador Charles Schultz, ele crer em DEUS.

    escolheu errado veí.

  21. André, 9/12/08
    21

    Quanto fundamentalismo cientifico e burrice exegética. Para chegar a ser ruim voce precisa melhorar bastante para desacreditar a Bíblia. Ignorancia e raiva estupida contra aqueles que possuem uma razão que cre e uma fé que pensa. Como dizia Nitche: “Se Deus nao existisse, seria necessário inveta-lo, pois toda a criação clama pela sua existencia”. Há burrice e ignorancia dos dois lados da moeda. Nem a ciencia, nem a religião tem todas as repostas para os mistérios do universo.

  22. Anderson Ferreira, 10/12/08
    22

    Os 10 mandamentos foram ‘removidos’ por Deus no novo mandamento.

  23. Renê, 15/3/09
    23

    O Conceito da Bíblia: Queria Deus dizer mesmo “não matarás”?

    QUEM é que nunca ouviu alguém dizer: ‘Nos Dez Mandamentos, Deus ordena: “Não matarás”’? Durante as guerras recentes, alguns homens alegaram isso como motivo para se recusarem a combater. Também surge em palestras sobre a pena capital.
    Todavia, outros se referem a este mandamento quando tentam mostrar que a Bíblia é contraditória. Certo folheto com esse objetivo tem por título “Proibida a Matança” e alista “Não matarás”, mas, daí, traz à atenção casos em que Deus mandou os israelitas executarem outros. E Jeová orientou os israelitas a exterminarem as nações inimigas. (Deu. 7:1, 2, 16; 12:31; Jos. 6:12-21) Assim, será que Deus realmente ordenou “Não matarás”? O que significa o sexto dos Dez Mandamentos? Será que elimina categoricamente a guerra e a pena capital?
    A frase “Não matarás” soa familiar para a maioria das pessoas, pois é assim que algumas Bíblias populares traduzem Êxodo 20:13. Se, porém, examinar este texto em muitas traduções modernas, provavelmente encontrará “Não deves assassinar” ou “Não deves cometer assassínio”. Por que tal diferença?
    A palavra hebraica original envolvida é ratsahh, que literalmente significa “quebrar” ou “reduzir a pedaços”. Em seu léxico hebraico, o perito John Parkhurst explica que, na Bíblia, ratsahh “indica homicídio simples ou homicídio qualificado, i. e., quer tirar de modo acidental quer premeditado a vida dum homem”.
    É digno de nota que, dentre as 47 vezes que ratsahh é usada nas Escrituras Hebraicas, 33 envolvem as cidades de refúgio de Israel. Estas serviam em casos em que certo homem tirava a vida de outro. Se fosse determinado judicialmente que o homicídio era desintencional, o homicida podia permanecer na cidade. Mas se a investigação legal mostrasse que matara com malícia ou deliberação, pagava com sua própria vida. Tendo em mente estas duas possibilidades, note como ratsahh é traduzida apropriadamente três vezes:
    “Servirão para vós de cidades de refúgio, e para lá terá de fugir o homicida [simples] que sem querer golpear fatalmente uma alma. . . . Ora, se ele o tiver golpeado com um instrumento de ferro [deliberadamente usado qual arma] de modo que morreu, é assassino. O assassino, sem falta, deve ser morto.” — Núm. 35:6, 11-34; Deu. 4:41-43; 19:1-7; Jos. 20:2-6; 21:13-39.
    Outros versículos indicam que ratsahh usualmente se aplicava a se tirar uma vida humana ilicitamente, contrário à lei de Deus. Observe as coisas associadas, mencionadas em Oséias 4:2: “Irrompeu o proferimento de maldições, e a prática do engano, e assassinato, e furto, e adultério, e atos de derramamento de sangue têm tocado em outros atos de derramamento de sangue.” — Jer. 7:9.
    Conforme indicado acima, no castigo dado ao homicida deliberado, nem toda extinção da vida humana era considerada ratsahh (homicídio qualificado), nem era proibido pelo sexto dos Dez Mandamentos. Depois do Dilúvio, Jeová Deus disse claramente a Noé: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.”
    (Gên. 9:6) Sim, mesmo antes de Ele ter dado um código de leis a Israel, Deus permitiu a pena capital. “Derramar o sangue do homem” pelo homicídio qualificado era o que fora proibido pelo Sexto Mandamento, e não a execução legal dum homicida qualificado.
    Isto nos ajuda a avaliar o uso de ratsahh em conexão com o rei Acabe. O rei cobiçou o vinhedo de Nabote, e permitiu que tal homem fosse morto a fim de obtê-lo. Não era o caso de o rei Acabe dirigir uma execução legalmente justificada de alguém que cometera uma ofensa capital em Israel. Antes, era a matança ilegal dum homem, algo proibido pelo Sexto Mandamento. Acabe, assim, era um “assassino” e merecia morrer. — 1 Reis 21:1-10; 2 Reis 6:32; Lev. 24:17.
    Mas, o que dizer da guerra? Foram travadas as guerras de Israel em violação do mandamento de Deus que é apropriadamente traduzido: “Não deves assassinar”?
    Não, não foram. O fato é que a Bíblia jamais usa o termo ratsahh (assassínio ou homicídio qualificado) com respeito a quaisquer destas guerras. Quando os israelitas lutaram, sob as ordens de Deus, não estavam agindo de forma ilegal. Tinham sido autorizados e estavam sendo dirigidos pelo Legislador Supremo. (Isa. 33:22; Sal. 19:7) Tais guerras não eram guerras de conquista de território ilimitado, como são tantas das guerras nacionais nos tempos recentes. Não eram guerras motivadas pela cobiça econômica. Nem eram guerras que violavam tratados de paz ou pactos de não-agressão, legalmente feitos, como foram algumas guerras na história moderna.
    Hoje, absolutamente nenhuma nação da terra se compõe inteiramente de pessoas que adoram a Jeová, que são miraculosamente dirigidas por Ele, por meio de profetas, e que têm uma concessão divina de possuir certa área da terra. Mas tudo isso se dava com o antigo Israel. Jeová notara que os habitantes de Canaã estavam arraigados na iniqüidade, sendo moralmente depravados e merecedores de execução. (Gên. 15:13-21; Lev. 18:24, 25) Como dono de toda a terra, Deus determinou dar tal terra à nação de Israel. E, sob a direção de líderes que Ele escolheu especialmente, Deus usou Israel para executar seu julgamento sobre os cananeus. — Deu. 9:4, 5; 12:31; Jos. 10:40.
    Por isso, ao executar os julgamentos legais e moralmente justos de Jeová, ou ao defender sua terra provida por Deus, os israelitas não eram culpados de violar o mandamento: “Não assassinarás.”
    Que dizer dos cristãos? Visto que o Sexto Mandamento simplesmente declarava de novo o que Deus já dissera antes, por meio de Noé, à inteira família humana, ainda estamos obrigados a evitar o assassínio ou homicídio qualificado. Com efeito, os capítulos finais da Bíblia admoestam-nos de que os assassinos ou homicidas qualificados não-arrependidos provarão a eterna destruição na “segunda morte”. (Rev. 21:8; 22:15) Quão importante, então, é evitar a participação em tirar vidas humanas sem a autorização especificamente expressa de Deus. Coerente com isto, Isaías 2:3, 4 descreve profeticamente os verdadeiros adoradores de Deus, dizendo: “E muitos povos certamente irão e dirão: ‘Vinde, e subamos ao monte de Jeová, à casa do Deus de Jacó; e ele nos instruirá sobre os seus caminhos, . . .’ E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças podadeiras. . . . Nem aprenderão mais a guerra.”
    Ademais, alerta-se aos cristãos para o fato de que os assassínios provêm dum mau coração. (Mat. 5:21-26; 15:19) Caso uma pessoa permitisse que o ódio a um concristão se arraigasse em seu coração, ele seria como que um homicida simples ou um homicida qualificado, ou assassino, algo que temos de evitar. — 1 João 3:15.
    Assim, a tradução “Não matarás” não transmite verdadeiramente o sentido real do Sexto Mandamento. É mais apropriadamente traduzido “Não assassinarás”. Avaliar isto nos ajuda a entender que as guerras justas de Israel não violavam tal mandamento. E podemos depreender melhor seu sentido quanto à nossa conduta e atitude relacionadas a tirarmos uma vida humana.

  24. Carlos Alberto, 15/10/09
    24

    Creio nos Dez Mandamento e creio firmemente no texto bíblico, entretanto, muitos dos fatos inseridos nas ecrituras não me são claros.Este é o valor da fé, sem sem, contudo, uma explicação detalhada.
    Crê somente, e na eternidade viveremos o resulltado da fé e da obediência.
    Sei que para uma parcela considerável, incluindo àqueles que hoje frequentam ogreja, é difícil viver a fé, crer no absoluto de Deus sem conhecer cada etapa, mas a fé é para ser vivida dessa forma.

  25. Carlos Alberto, 15/10/09
    25

    Creio nos Dez Mandamento e creio firmemente no texto bíblico, entretanto, muitos dos fatos inseridos nas ecrituras não me são claros.Este é o valor da fé, vive-la sem , contudo, uma explicação detalhada.
    Crer somente, e na eternidade viveremos o resultado da fé e da obediência.
    Sei que para uma parcela considerável, incluindo àqueles que hoje frequentam igrejas, é difícil viver a fé, crer no absoluto de Deus sem conhecer cada etapa, mas a fé é para ser vivida dessa forma.

  26. Hamilton, 15/10/09
    26

    Ecrituras? Sem sem? Ogreja? Eu não entendi o que ele falou.

    http://www.youtube.com/watch?v=8BcWUaLvDnw

Um trackback

  1. De Religião para quê? | Opinião | A Grande Abobora em 5 de September de 2008 às 13:20

    [...] A Mentira dos Dez Mandamentos [...]

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    A Grande Abóbora, o blog do Marcus.

    Uma explosão de sabor.

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