A maior gafe que eu (quase) cometi

30.Jan.2008 @ 8:57 am
Arquivado em Cotidiano

Setembro passado tive que ir para Brasília fazer uma entrevista. Graças a uma dica de um amigo, fiquei em uma pousada que, segundo ele, era barata, bem localizada e confortável. De fato, ao chegar na pousada, descobri que 67% das informações eram verdadeiras: ela era barata e bem localizada.

Meu quarto era no subsolo e dava para a frente do prédio. Saca aquelas gradezinhas que tem nas calçadas para escorrer a água da chuva? A janela do meu quarto dava para o fosso que fica embaixo destas grades. Sorte minha é que eu estava em Brasília e lá chove menos do que no deserto do Atacama.

Pelo menos o banheiro coletivo ficava logo em frente ao meu quarto. Assim, eu não precisava ficar desfilando pelos corredores com minhas roupas na mão toda vez que precisasse tomar banho.

Claro que, além de mim, havia outros hóspedes por lá, inclusive crianças. Havia um casal delas, em especial, que não podia me ver. Toda vez eu eu apontava no corredor eles vinham em minha direção, estendendo as mãos para que eu as tocasse e depois desse um soco. Cada vez que me viam, eu tinha que cumprimentá-los meia dúzia de vezes, pelo menos.

O interessante deste fato é que o garotinho não falava nada, enquanto a garotinha ficava fazendo uns grunhidos.

“Que gracinha, ela é tímida e não consegue falar comigo”, pensei na primeira vez.

Na segunda vez, achei estranho que este comportamento se repetisse.

Na terceira vez, peguei a guria pelos braços, levantei na altura do meu rosto e perguntei sério: “Guria, tu não sabe falar não? Desembucha!”

Ok, esta última parte é mentira, mas quase perguntei de forma não muito educada se ela não sabia falar.

Neste mesmo dia, mais tarde, conheci a mãe da guria. Ela veio puxar assunto comigo e começamos a conversar. Fiquei sabendo que eles eram de Roraima (ou Rondônia, não lembro: era algum destes estados da Região Norte que começam com a letra R e cujo PIB depende basicamente do desmatamento de florestas tropicais e do garimpo ilegal).

Conversa vai, conversa vem, ela me disse que estavam em Brasília justamente para ter uma consulta com o Doutor Gregory House descobrir o problema que levava a filha dela a não ouvir e não falar.

Por pouco eu não deixei a guria mais traumatizada do que ela já deve ser.

GooglePrimeira visita ao blog? Gostou do que leu? Então que tal receber as novidades que eu for publicando por no blog, no maior conforto? Para isto, basta assinar o feed ou as atualizações por email. Caso queira ler outros textos interessantes, comece pelos posts relacionados a este aqui ou pelos melhores posts já publicados. Afinal, 545 pessoas não podem estar erradas. Pelo menos, não todas elas ao mesmo tempo.

10 Comentários

  1. Daniel Becher

    Seu bruto! Ponto.

    Heim, falando sério agora… Isso é normal. Pior que essa, só aquela história do fanho que foi pegar o ônibus e se deparou com o cobrador que também era. Ele se fingiu de mudo pro cara não pensar que ele tava gozando.

    Coisas da vida :P

    Comentado em 30.Jan.2008

  2. adelaide

    Ichhh, eu já fiz essa em frente a árvore de Natal em Gramado. Umas crianças esperando para tirar foto e fazendo hora, só para implicar. Ainda soltei:

    -Se quiserem tirar foto, eles que peçam.

    Depois vi que eram de uma escola de surdos-mudos. Quanta culpa!

    Mas a melhor frase: Um destes estados que a PIB depende praticamente do desmatamento. Fino humor politicamenet incorreto!

    Comentado em 30.Jan.2008

  3. éver

    Não iria traumatizá-la posto que ela não escutaria o que essa tua voz de bicha inglesa estaria falando !

    Ou perdi alguma parte da história ?

    Comentado em 30.Jan.2008

  4. Rubbaum

    Um destes estados que a PIB depende praticamente do desmatamento.

    Normal no Sul/Sudeste do Brasil não saberem diferenciar dois estados que ficam em extremos opostos da Floresta Amazonica.

    PIB dependendo do desmatamento ?

    Hum…

    Comentado em 30.Jan.2008

  5. marcus

    É vero, Becher… Pelo menos rendeu uma história pra contar =)

    Comentado em 30.Jan.2008

  6. marcus

    adelaide, gafes são uma constante em minha vida. Esta pelo menos não ocorreu na prática.

    Comentado em 30.Jan.2008

  7. marcus

    E se ela lesse lábios, éver? Hein? Hein?

    Comentado em 30.Jan.2008

  8. Paulo R Diesel

    É por estas que não entendo porque uma grande abóbora consegue virar carruagem.
    Abraço.

    Comentado em 31.Jan.2008

  9. marcus

    Só com fada madrinha =)

    Comentado em 31.Jan.2008

  10. Roberto Carlos

    “Um destes estados que a PIB depende praticamente do desmatamento.”

    Ridículo uma frase dessa sair da boca de um cara que faz doutorado.

    Comentado em 5.Set.2008

Deixe seu Comentário: