Este filme não pretende contar a história de vida de um poeta. Ao invés disto, o cineasta tentou recriar o mundo interior do poeta através das trepidações de sua alma, de suas paixões e tormentos, usando amplamente do simbolismo e de alegorias próprias a tradição dos poetas-trovadores da Armênia Medieval (ashik).
Fosse há uns seis ou sete anos, bastaria que eu lesse as linhas acima para me desinteressar completamente por A Cor das Romãs (Sayat Nova, no original em armeno). O filme, que não conta a história da vida do poeta/trovador/ashik armeno Sayat Nova, conta a história da vida do poeta/trovador/ashik armeno Sayat Nova.
A contradição na frase anterior é justificada pelo primeiro trecho do filme, transcrito no início deste texto. A abordagem que é, em geral, utilizada em cinebiografias, é deixada de lado pelo diretor Sergei Parajanov, que prefere transformar seu filme numa sucessão de tableaux vivant (ou pinturas vivas).
Devido a isso, e à natureza onírica que o filme se propõe a representar, temos cenas como estas abaixo:
Me pergunto porque este tipo de obra tem me interessado tanto ultimamente. Há não muito, eu me recusava a assistir filmes sem explosões ou mortes violentas. Hoje, um filme de 40 anos sobre um poeta medieval andrógino da Armênia me desperta mais a atenção do que os indicados ao Oscar de 2010 (2009, 2008, 2007…).
Cotação: ★★★★☆