Hoje é 25 de maio. Para vocês, pessoas desinformadas que não curtem o lado Coca-Cola da vida, isto pode não significar nada. Pode ser somente uma sexta-feira qualquer. Mas hoje, além de ser a estréia mundial de Piratas do Caribe 3 e ser o Dia da Toalha, é o dia no qual Star Wars (leia com a entonação de Leônidas dizendo berrando “This is Sparta!”) comemora 30 anos do seu lançamento do cinema.
Eu poderia fazer um post falando sobre a revolução que a franquia causou no cinema, sobre toda uma geração de jovens influenciada pela trilogia original e talicoisa. Mas não, pequeno padawan; eu falarei sobre como foi minha primeira grande referência de cultura pop e como descobri que a maioria de meus amiguinhos era ignorante em relação às coisas importantes da vida (aka cinema, tv, quadrinhos, música e literatura, mesmo que na época eu lesse apenas livros infantis e assistisse somente aos filmes na TV e no videocassete).
A história se passa em 1988 (eu tenho leitores que não eram nascidos em 1988), quando Jô Soares transferiu-se para o SBT. Com a perda de Vva o Gordo, sua atração maior de segunda-feira à noite, a TV Globo precisava de uma programa de peso (sem trocadilho) para o horário. Isto posto, a Tela Quente, programa que até uns 10 anos atrás exibia filmes legais, estreou. O primeiro filme a ser exibido foi O Retorno de Jedi.
Paralelo a isso, a Gulliver lançou uma linha de brinquedos baseada nos personagens de Star Wars no Brasil. Obviamente eu ganhei meus bonequinhos, que foram comprados na antiga Mesbla de São Leopoldo: Luke Skywalker, Chewbacca e R2D2.
O Luke tinha a altura de um Comando em Ação, mas com menos articulações. Tinha calça bege e camisa branca, como no primeiro filme. Ele vinha com um sabre de luz(1) retrátil no braço direito: puxando uma peça de plástico em direção ao cotovelo, o sabre recolhia; empurrando em direção à mão, o sabre aparecia. O R2D2 era mais baixo que o Luke, claro, e tinha um sabre de luz que saía pela cabeça.
Eis que então levei meus brinquedos para o colégio e todos os coleguinhas que brincavam comigo (uns três ou quatro) perguntaram porque aquela “espada laser” saía da cabeça daquele robozinho. Eu achava inconcebível que eles não soubessem o porquê disso. O filme tinha até passado na TV! E em todas estas vezes, eu pacientemente tinha que explicar a cena da fuga dos rebeldes aprisionados do palácio do Hutt Jabba.
E para vocês, pobres infiéis que não lembram desta cena antológica, o youtube quebra o galho de vocês:
Tá com preguiça de esperar? Então avança o vídeo até 1:00 pra ver a parte importante.
Por Alá, eles não haviam visto esta cena ainda! Como não? Ok, eram crianças entre 8 e 9 anos, mas assistir a trilogia clássica de Star Wars é um dever para qualquer jovem ocidental nascido durante os anos 70 e 80. É decepcionante estudar com pessoas que não tê os mesmos gosto que tu.
E não é só isso. Não sei se por causa do corte e da cor do cabelo ou por ser bonzinho, Luke Skywalker foi meu primeiro herói cinematográfico. Também tinha o fato dele viver no interior com aqueles tios velhos que no quesito comportamento superprotetor pareciam meu avô e minha avó. E tinha o conflito com o pai. Depois, como todo adolescente, virei fã de Darth Vader, o maior vão de todos os tempos, somente atrás do Ozymandias. Não sei porque o mal, nesta idade, sempre nos atrai. Hoje meu favorito é Han Solo, pois ironia e petulância é tudo no mundo.
Enfim, eu sou um somatório de tudo o que ocorreu na minha vida. E Guerra nas Estrelas é uma parte muito importante deste processo. Foi ali que vi que era este o tipo de filme que eu queria para a minha vida: ação, heróis, vilões, um pouco de comédia. Sou assim até hoje. Sou um subproduto de todo este lixo enlatado americano.
E adoro isso.
Live long and prosper(2).
(1)É sério: eu acho que era a única criança do mundo que chamava a arma dos Jedi de sabre de luz e não de espada laser.
(2)Sim, isto é uma piada. Detesto Star Trek.
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8 comentários Comentários e trackbacks estão fechados no momento.
ok, eu devo ser a mais nova daqui, sou de janeiro de 89, mas é como se fosse 88! sou dragão e tudo, e ainda nasci uma semana atrasada: só dia 7, fui preguiçosa, era pra ter sido no ano-novo. enfim… minha mãe sempre foi muito viciada em star wars, achava o han solo bonitinho (o luke perdeu o encanto pra ela depois do primeiro filme), foi não sei quantas vezes ao cinema assistir e até hoje fala disso com brilho nos olhos. já a minha tia só ficava dizendo que era um absurdo porque o som não se propaga no vácuo. entre uma e outra, assisti aos filmes, achei o luke bonitinho também só n’uma nova esperança e fodam-se as leis da física, pensei, isto é ótimo. eu ainda era pequena quando saiu o ep. I, só um pouco mais velha que meu irmão quando saiu o III – e agora ele é que é todo-todo, compramos em portugal uns bonecos pra ele, um sabre de luz que acende, retrátil, que faz barulho e o diabo. ah!, fora que eu o vestia de anakin quando ele era menor, saía gritando pela casa “EEEEEEU SOOOOU O JOÃOOOO SKYWALKEEEEEER”, e meu padrasto ficava fodido por causa do rabinho que eu fazia com o cabelo dele, “parece menina, tira essa merda!”.
lojas mesbla? só falta citar o mappin, agora (god, eu comprava tudo lá, ou pelo menos é essa a impressão que eu tenho). sabe que em campinas ainda tem um cartaz da mesbla? isso é que é cidade atrasada.
e sobre isso dos coleguinhas não saberem… passei minha infância inteira inventando brincadeiras baseadas em coisas que ninguém tinha idéia do que fossem. eu sempre fazia a minha prima brincar do que eu quisesse (como a vez em que decidi brincar de feiticeiras de macbeth, tendo lido só a parte dos encantamentos e achado o máximo, ou então de arqueóloga/paleontóloga, etc) em troca de meia hora de mamãe-e-filhinha, o faz-de-conta mas sacal do universo. a minha frustração era nunca ter conseguido fazer sozinha com o cabelo aqueles headphones da leia! a minha brincadeira ia ser muito mais verossímil.
seus textos já me fizeram rir, aprender, inspirar, compartilhar e até irritar. mas pela primeira vez um deles me emocionou.
voltei no túnel do tempo e retirei da parede da memória um dos mais sagrados quadros da minha infância. viva o gordo, mesbla, comandos em ação… obrigado.
e que inveja tenho de você. eu nunca tive aqueles bonequinhos!
ah, ozymandias é fodástico, mas ainda prefiro o bom e velho vader. ;)
schoroeder, eu gosto mais do Ozymandias por causa da discrição dele. Em nenhum momento ele parecia ser quem era de fato.
Tenho no meu altar de voodoo um C3PO e um R2D2. Starwars foi um filme que vi inúmeras vezes.
O filme que me emociona, acabei de ver um clipe, é Bladerunner. Pior é que só no futuro haveria acid rain. Já temos várias coisas do futuro, tudo porcaria.
Olha, o Biscoito Fino e a Massa vai ter um lance sobre o Borges. Acho que você gostaria.
Meu favorito já era o Han Solo.:razz:
muito bom teu post, de chorar!!
ok, eu sou 87 e star wars só surgiu na minha vida quando eu era um pouco mais velha.
como tenho um tio – na verdade marido da minha tia – viciado nisso, lá pelos 6, 8 anos eu vi e achei muito bacana, apesar de ser “coisa de menino”.
sim, é um saco não ter coleguinhas para compartilhar essas pequenas coisas. acho que por isso inventaram a internerde; agora somos todos nerds felizes que compartilham suas nerdices \o/
eu gosto de star trek e star wars, mas bem mais de star wars! que a força esteja contigo, young padawan.
Padawan? Tá louco? Eu sou um Jedi Master :D
pois é …
eu tenho um irmão de nome Daniel , q é tb o motivo deu me chamar Rafael .
Daniel é 4anos mais velho q eu [sou de 85]
daniel adorava star wars …eu nops
ele ganhou o bonequinho do luke … eu ganhei Chewbacca e R2D2[vantagem de ser o filho mai novo].
eu adorava a”espada laser” da cabeça do baixinho
só fui ver o filme de verdade séculos depois
hoje sou fanático!!!
só pra constar… me apresento aqui no rio dia 06 alguém quer ingresso de graça?
hauhauhauha
beijos