Alguém já parou pra pensar no gaúcho não como aquele que nasce no Rio Grande do Sul mas sim o habitante dos pampas? O gaúcho argentino, uruguaio e rio-grandense? Eu me dei conta de que o gaúcho é maior do que eu pensava quando li O Continente do Erico Verissimo (sim, é sem acento). Lá existe a figura do gaúcho como homem que vive nos pampas, que lida com o gado e que vai para a guerra para defender os interesses do seu patrão. O gaúcho que nada possui, além do seu cavalo, de sua roupa, seus trocados e sua honra. Principalmente a honra. Um gaúcho não é nada sem sua palavra. Sem poder dizer o que quiser a outrem e ser crível, acima de qualquer suspeita. Mas no caso de ter sua palavra posta em dúvida, ele luta até a morte para não ter sua credibilidade arranhada.
Há um trecho de uma música chamada La Casa Desaparecida, de Fito Paez, que me lembra muito o despojamento do gaúcho:
Es que el mundo es muy cretino
pero puede ser divino, si yo quiero
porque nada en este mundo me hace falta
Nada más que algunos trucos
un conejo, una galera, un colchón, un tocadisco y una mesa
Fito tem este sentimento que eu também sinto em Vitor Ramil, por exemplo. Este fato de ter que ser gaúcho, apesar de ser urbano. De sentir a tradição pulsando. Eu, por exemplo, nunca entrei em um CTG. Mas gosto de todas estas obras que falam dos nossos antepassados. Como Vitor Ramil em Ramilonga e em A Paixão de V Segundo Ele Próprio. Mas voltemos aos personagens.
Na obra do Erico o maior exemplo de gaúcho é o capitão Rodrigo Cambará. Ele segue os moldes de outros personagens clássicos da literatura dos pampas, como Blau Nunes (brasileiro), Martín Fierro (argentino) e Dom Segundo Sombra (uruguaio). Apesar de Rodrigo ter constituído família, ao contrário dos outros três, ele não é um grande pai nem um grande marido. Entrega-se à bebida, ao jogo e, ao menor sinal de guerra, abandona tudo para ir combater ao lado de outros gaúchos como ele. A solidão é a companheira eterna do gaúcho.
Enfim, me estendi um pouco, mas a idéia principal é pensar no gaúcho como aquele ser nativo do pampa, da lida campeira. Aquele que cavalga pelas planícies ao som repetitivo da milonga. Aquele que preza a honra acima das outras coisas. Tem faltado um pouco de gauchismo hoje em dia.
#############
Legal saber que um monte de gente se preocupou comigo após a festa de sexta. É bom saber que se é querido.
#############
O webmaster do Rapadura Açucarada colocou um link pro meu blog! Que massa!



