Acabei não contando o que sucedeu-se com minha pessoa depois que retornei ao Bradesco para terminar de realizar meu cadastro bancário. Os fatos narrados naquele post ocorreram numa sexta-feira. Na segunda, juntei os documentos que eu precisava para abrir a conta e rumei para o banco. Acabei não abrindo ela no Bradesco por dois motivos:
- Precisava dos três últimos contra-cheques e minha renda vem deste blog (RISOS) e das aulas que dou nos EUA, ou seja,
- Tinha muito pobre dentro do banco
E sei que agora vou soar ainda mais pedante e presunçoso: não tenho nada contra os pobres, desde que eles não frequentem o mesmo lugar que eu.
Peraí que explico.
Chega um momento na tua vida que tu começa a ganhar um pouco mais de dinheiro e, por exemplo, lojas de departamento não te satisfazem mais. Restaurantes a quilo ou rodízio não te agradam mais como outrora. Os atendentes das livrarias tem conhecimento literário inferior ao teu, pelo menos na tua área de interesse.
Assim sendo, tu passa a exigir que os atendentes das lojas fiquem o tempo todo a teu lado, te sugerindo roupas e respondendo tuas perguntas sobre elas. Tu quer um garçom que saiba servir a mesa com mais delicadeza e que seja mais atencioso contigo. A tua maneira preferida de ser abordado em livrarias é, justamente, não ser abordado.
Uma coisa que aprendi na vida é que chegar com humildade nos lugares é pedir pra ser mal atendido. Não digo chegar como o Alexandre Frota chegaria num baile funk, mas um pouco de auto-confiança e decisão sempre abre mais portas do que fecha.
E pobre tem mania de ou chegar se desculpando ou chegar rodando a baiana em qualquer lugar que vai. Não existe um meio-termo firme, porém educado para as pessoas desprovidas de uma renda um pouco mais digna. Claro que minha análise pode estar errada (não está), mas é assim que enxergo o mundo.
Aí quando vi aquela fila enorme no Bradesco, não tive dúvidas: fui pro Itaú. Lá chegando, tirei a ficha (também detesto lugares que distribuem fichas para atendimento) e olhei meu número: 88. Recém estavam chamando o 76. Aí usei meu charme com a estagiária do banco (contei que moro no exterio, que queria uma conta corrente só pra investir na bolsa, que ia abrir minha conta com um depósito vultoso etc) e ela prontamente me colocou no primeiro lugar da fila, falando diretamente com um gerente.
Cheguei dando a real pra ele: que eu viajaria de volta pra cá em três dias, que queria a conta só pra investir na bolsa, que não tinha como comprovar renda e tal. E, apesar disso tudo, fui tratado todo meu-amor, pois o cara também tinha feito intercâmbio nos Estados Unidos, investe na Bovespa e tal. Aliás, foi curioso eu dizer que não me interessava em usar o home broker do Itaú porque achava muito caro e o gerente respondeu que ele também acha isso.


