Primeiro foi o Cris Dias, com um post muito bem escrito a respeito da tal reforma ortográfica, fazendo uma brincadeira a respeito das mudanças na língua.

Mas aí, eis que 78,23% dos posts que li nos últimos dias era de gente revoltada com o fato de não poderem mais escrever idéia, lingüiça e apazigúe.
Ok, apazigúe ninguém mais escrevia mesmo, mas vocês entenderam onde quero chegar.
Aposto que, vivas fossem na década de 1910, as pessoas que hoje se revoltam por causa das mudanças em idéia, lingüiça e apazigúe, se revoltariam com a extinção da pharmácia e do christallino.
Ou se indignariam com a abolição do acento diferencial, em 1971, das palavras côr e sómente.
Ou, quem sabe, mandariam Galileu para a fogueira pois ele - absurdo dos absurdos! - defendia que a Terra girava ao redor do Sol.
Não que eu seja a favor de ter que aprender a reescrever o que já mal sabia, mas chega de se lamuriar por algo que já passou, né? Tu sabe que, enquanto tu tá aí, sentado em frente ao teu computador, um monte de gente tá sem ter o que comer e tu tá preocupado com isso com uns acentinhos ridículos?
São só duas ou três palavrinhas que mudaram. O restante, como o hífen, que ninguém sabia como usar mesmo, não vai alterar a vida de ninguém. Mudar a regra dele, para mim, foi como o Ji-Paraná ser campeão estadual rondonense: é algo nem um pouco significativo para minha existência.
Como já nem lembro o que disse no podcast sobre a reforma ortográfica (além de me reservar o direito de mudar minha opinião de duas em duas semanas), acho que há muito protesto para nada. Não me parece uma imprecisão classificar todo este movimento pequeno-burguês de uma grande fanfarronice.
Quer planejar uma viagem e não sabe por onde começar? Pelo menos o trajeto dela é fácil de fazer.
No site do programa On The Road Again há um mashup bastante interessante. Através de um cadastro, é possível criar uma conta no site e fazer (ou relatar) o roteiro de uma viagem realizada por ti. Utilizando o engine do Google Maps, mais flickr e YouTube para ilustrar as tuas andanças, tu consegue criar uma excelente representação daquilo que tu fez durante teu tempo e papo para o ar.
Como exemplo, dá uma olhada no roteiro da viagem do Rafael Ziggy, do Sim, Viral, pela Bahia, na Rota das Praias, para ver do que é que estou falando.
Meus outros posts sobre o projeto On The Road Again podem ser encontrados aqui.

O Senhor das Armas (Lord of War, 2005) é um filme de guerra, mas com um viés denuncista. Acompanhamos a vida de Yuri Orlov (Nicholas Cage), imigrante ucraniano nos EUA que, com o auxílio de Vitaly (Jared Leto), seu irmão mais novo, torna-se contrabandista de armas nos anos 80.
Durante o desenrolar da história, vemos alguns dos principais conflitos dos últimos 25 anos passarem à nossa frente, como as guerras civis do Líbano e Libéria e a invasão soviética no Afeganistão.
Como é um filme baseado em fatos reais, há diversas estatísticas apresentadas no decorrer da projeção, como o desmonte (para não dizer assalto de US$32 bilhões) do exército ucraniano após o fim da URSS, de modo a informar o espectador a respeito da situação atual do mercado armamentista no mundo, mesmo que superficialmente. Aliás, o monólogo de abertura do filme, proferido por Yuri, é:
Existem mais de 550 milhões de armas de fogo em circulação no mundo. Isso equivale a uma arma para cada doze pessoas no planeta. A questão é: como vamos armar as outras onze?
É justamente esta a preocupação de Yuri. Mais do que um contrabandista, ele é um negociante. E é muito bom no que faz. Tão bom que, apesar de ter consciência de que ele não é, de forma alguma, a melhor pessoa do mundo, ele não consegue parar de fazer o que faz.
E como ele pode parar, se ele é peixe pequeno, comparado com os maiores vendedores de armas do planeta, como os EUA, França e China? Países estes com cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU, é claro.
O Senhor das Armas é um filme pipoca, mas com um pequeno fundo de verdade, que nos faz questionar a quem interessam, realmente, os conflitos armados no mundo.
Cotação: ★★★★☆
Esta resenha é parte do projeto Um Filme Por Semana. Para ler as outras resenhas, clique aqui.



