I'm a professional cynic
But my heart's not in it

Riquelme é maior que Messi

Y dale alegria, alegria a mi corazon
És lo único que te pido al menos hoy
La Copa Libertadores es mi obsecion
Tenes que dejar el alma y el corazon
Ya vas a ver
No somos como los putos de River Plate

O mais recente jogo do Boca na Libertadores, a vitória de 3 a 2 sobre o Union Española e cujos gols estão logo abaixo, só veio a confirmar isto.


Link para o vídeo

Ainda que o futebol necessite de craques absolutos como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, também necessita de jogadores não tão perfeitos assim, e que carreguem um tanto de drama nas suas vidas. Que não sejam unanimidade. E que não sejam craques absolutos.

Se forem argentinos, tanto melhor. O tango sempre caiu melhor como trilha futebolística.

Não sei se foi minha juventude forjada a jogos mal jogados, assistindo a times limitados e Copas do Mundo sem a inspiração (dizem) de outrora, que me deixou com esta simpatia pelos elencos limitados. Não gosto de assistir ao Barcelona que ataca. O Chelsea defensivo me encanta.

Sob esta ótica, acho Riquelme o maior do mundo na atualidade. Ainda que o corpo dele não seja mais o da sua juventude e sua técnica nunca tenha sido superior a Maradona, Messi e Di Stéfano, ele é o maior do mundo por demonstrar, em suas apresentações, aquilo que não pode ser mensurado pelos números.

O leitor pode pensar que Messi também faz isto. De fato, mas lhe falta jogar num time do fim do fundo da América do Sul.

E isto faz toda a diferença.


Maior atacante que já vi jogar? Palermo, é óbvio.

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Ciência bem feita é ciência bem feita

Se hoje alguém me parasse na rua e me pedisse dois conselhos, eu diria o seguinte:

  1. Prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha não fazem mal a ninguém
  2. Visite o site da Sociedade Criacionista Brasileira

Embora o primeiro conselho pareça mais útil numa primeira análise, minha segunda dica é que é realmente brilhante. Eu nunca havia visto, em todos estes anos nesta indústria vital, um site tão belo e tão acessível como o da SCB. Com uma redação clara e esmerada, ele é capaz de explicar com cuidado e precisão as questões mais pertinentes a respeito das mais pertinentes questões científicas atuais.

O que os amigos leitores talvez não saibam é que há apenas duas categorias de coisas que gosto no mundo: as muito boas e as muito ruins. Claro que os conceitos do que é bom e do que é ruim variam de pessoa para pessoa, mas com isto quero dizer que algo medíocre, no sentido original da palavra (algo mediano, próximo à média), não me agrada. Por isso gosto do vlog da Tulla Luana, mas não assisto o HBDTv.

E sempre que descubro algo novo e que, além de ser algo muito bom ou muito ruim, seja algo extremamente bom ou extremamente ruim, eu passo por uma fase de mania, na qual não paro de consumir minha nova descoberta e não sossego enquanto não enjoar dela.

Isto posto, gostaria de confessar que ontem eu li 16 edições da revista Ciências das Origens, publicação da Sociedade Criacionista Brasileira, uma atrás da outra. A edição que mais me agradou foi a segunda, com um texto deveras didático a respeito de dinossauros, cujas seis primeiras perguntas e respostas eu reproduzo abaixo.

1. Os dinossauros existiram?
Sim. Cerca de 285 tipos (gêneros) são conhecidos, com tamanhos variando desde o de um peru até 30 metros ou mais de comprimento. Aproximadamente a metade é representada por um único exemplar, enquanto 10 deles correspondem a pelo menos 40 exemplares. A maior diversidade de dinossauros é encontrada na parte superior das rochas do Cretáceo (Maastricianas).

2. Foram encontradas pegadas de seres humanos junto a pegadas de dinossauros?
Não. Houve um anúncio de que tais pegadas foram encontradas juntas, no leito do rio Paluxy no Texas, mas esta afirmação foi abandonada por todos os criacionistas que têm treinamento científico. Aquelas pegadas de dinossauro são genuínas, mas as humanas não são.

3. Os cientistas crêem que as aves evoluíram dos dinossauros?
Sim, a maioria dos cientistas crê nisso. As aves parecem ser mais semelhantes a certos dinossauros do que a qualquer outro grupo de animais. Certos fósseis, tais como o Archaeopteryx, têm algumas características que são típicas de dinossauros e outras que são típicas de aves. Embora não se tenha encontrado nenhum dinossauro que possa ser considerado o real ancestral das aves, os cientistas já encontraram alguns fósseis que apresentam características de réptil e de ave (4). Alguns cientistas têm apresentado evidências de que as aves não podem ter evoluído a partir de dinossauros (5). Uns poucos cientistas têm proposto que as aves evoluíram de um grupo de répteis conhecidos como tecodontes, em vez de dinossauros. Do ponto de vista criacionista, a presença de penas em um dinossauro não significa que as aves derivaram dos dinossauros. Todas as aves têm penas, porém isto não significa que todas as aves evoluíram a partir de um ancestral comum. Muitos grupos separados de aves e outros organismos com penas podem ter sido criados independentemente.

4. O que os dinossauros comiam?
Aparentemente, a maioria dos dinossauros era herbívora. Alguns podem ter se alimentado de pequenos animais se estivessem disponíveis. Alguns comiam peixes, enquanto outros provavelmente comiam animais maiores, tais como outros dinossauros.

5. Os dinossauros tinham sangue quente?
Os cientistas não concordam quanto à resposta para esta pergunta. Os dinossauros provavelmente não tinham sangue quente como as aves e os mamíferos. Eles podem ter vivido em climas quentes e úmidos. Conseqüentemente não teriam dificuldade em se manter aquecidos. Os dinossauros maiores teriam conservado o calor mais eficientemente que os menores. O metabolismo deles pode ter sido mais rápido do que o dos répteis atuais.

6. Deus criou os dinossauros ou eles são o resultado do mal?
Deus criou toda a vida, incluindo os ancestrais dos dinossauros. Entretanto, não sabemos quanto os animais podem ter mudado após a criação. Não podemos identificar nenhum fóssil como sendo uma forma individual criada originalmente. Os únicos fósseis que temos são de animais que viveram mais de mil anos após a criação. Não sabemos como eram as formas originalmente criadas.

Aiô, Silver!

Além das perguntas sobre dinossauros, há diversas outras indagações que todo cristão consciente deveria se perguntar. Questões de cunho geológico, por exemplo:

4. Como os criacionistas explicam idades radiométricas de muitos milhões de anos?
Os criacionistas não têm uma explicação adequada, mas já foram propostas algumas possibilidades. A primeira possibilidade é que as rochas da Terra sejam muito antigas porque o planeta foi formado bem antes de a vida ter sido criada nela. Esta teoria propõe que o Gênesis se refere apenas à criação da vida no planeta e não à criação do planeta em si. Esta é chamada de “Hipótese de Dois Estágios da Criação”. A segunda hipótese é que Deus tenha criado um planeta maduro, com árvores crescidas, animais adultos e seres humanos adultos também. Portanto, é razoável que as rochas tenham sido criadas para aparentarem idade também. Esta é conhecida como a “Hipótese da Criação da Terra Madura”. Uma terceira possibilidade é a de que haja alguma razão funcional para que certos materiais radioativos não devessem ser abundantes, para não acarretar danos sobre os organismos vivos. Isso implica que as quantidades reduzidas de átomos pais radioativos fazem parte do planejamento intencional do Criador.

É uma leitura leve e agradável, que solucionou muitas das minhas dúvidas. Além disso, a revista possui diversas demonstrações, na prática, de grandes técnicas de argumentação lógica, como o duplipensar orwelliano – não acreditar em fósseis, mas usar trilobitas para provar o design inteligente – e diversas formas de argumentação circular.

Recomendo a todos!

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classemédiaragequit

O trecho que considero mais genial no artigo Sobre a classe média, escrito pelo Artur Xexéo para O Globo e que descobri pelo blog do Rafael Galvão, é este:

Como qualquer brasileiro, me orgulho muito da nova classe média e dos oito milhões de conterrâneos que chegaram à sociedade de consumo nos últimos tempos.
Consumo para todos! Mas, veja bem, para todos, o que inclui a velha classe média. É democrático o fato de voos comerciais poderem ser pagos em 17 vezes. Mais gente viajando, mais gente fazendo turismo, nem me incomodo com os aeroportos superlotados. Mas, vem cá, dá para variar o cardápio? Ou vou ser obrigado a comer barrinha de cereal para o resto da vida? Alguém já perguntou se a velha classe média gosta de barrinha de cereal? Eu não gosto. Dá pra sair um sanduíche de queijo com suco de laranja?

O movimento da maldita inclusão digital, que começou no Orkut, se disseminou pelos blogs, perfis no twitter e chegou ao FEICE, finalmente atinge a velha mídia. E atinge as redações de jornal com aquela força que sempre teve: argumentos vazios e sem sentido, carregados de velhos hábitos e preconceitos.

(ou só eu notei a vibe “Não que eu seja racista, mas negro é tudo ladrão” do trecho acima?)

Eu só acho que a velha classe média, aquela que voava com a Varig, comia lagosta durante o voo, tinha poltronas mega-espaçosas e usava Ray-Ban aviador enquanto dirigia seus conversíveis pelas ruas bem cuidadas pelos governos militares, não tem muito do que reclamar. Afinal, a aviação no Brasil é regida pelas leis do mercado. Se o mercado não tem demanda suficiente para que as companhias aéreas ofereçam serviços de primeira classe, só posso concluir que gente como o Artur Xexéo tem menos influência na economia nacional do que – deus nos livre, Nossa Senhora de Boris Casoy! – garis.

A não ser, claro, que argumentem que esta parada com a aviação comercial no Brasil não passa de ditadura das minorias, querendo implantar seus desejos sobre a castigada classe média pagadora de impostos e que realmente sustenta e leva o país nas costas.

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Inadequado?

Como a historinha que contei sobre o meu escritório teve uma boa repercussão, vou contar o que aconteceu comigo uns dias atrás.

Eu estava na parada de ônibus e um casal de amigos, ele búlgaro e ela chinesa, passaram por mim e ofereceram carona. Aceitei.

O carro estava sintonizado numa rádio rock daqui de State College. No momento da carona, a rádio transmitia Karma Police, do Radiohead. Uma surpresa para mim, pois da última vez que havia pego carona com eles, a trilha sonora era um remix de Dragostea Din Tei (ou The Numa Numa Song). E isto foi em 2010. Achei uma coincidência bacana ser logo esta música, pois o vídeo da música é todo baseado numa viagem feita num carro. Comentei com eles que gosto de Radiohead e desta música em especial, pela canção em si e pelo videoclipe.

A música acabou, o locutor falou uma coisa ou outra que não vem ao caso e Polly, do Nirvana, começou a ser executada. Destilando conhecimento acadêmico-filosófico-musical, comentei que eu sempre havia imaginado que Polly era uma música a respeito de um papagaio, até o dia em que descobri que era sobre uma garota que 14 anos que havia sido raptada, torturada e estuprada.

Nenhuma outra palavra foi dita dentro daquele carro até chegarmos ao nosso destino final.

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O meu escritório

O meu escritório aqui na PSU é dividido com outros quatro alunos. Somos um brasileiro, um ganês, um chinês, um vietnamita e um cazaquistanês cazaque. Sendo assim, estou naquele que creio ser o escritório mais rico em termos de variação étnica neste departamento.

Só que variação étnica, ainda mais vinda da África e do Oriente, é muito mais discrepante entre si do que variação étnica vinda do Ocidente. Meus hábitos enquanto rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso e vindo do interior, são mais parecidos com os hábitos dos latinos, americanos e europeus que encontrei por aqui do que com os hábitos dos africanos, árabes, persas, indianos e orientais.

Dentro do escritório, minha mesa fica próxima à janela da sala, no lado oposto à porta. Desta forma, só tenho contato visual com meus colegas quando tenho que sair e passar pela porta. Mas, graças à audição, posso ouvir quando eles entram e sei quando estou sozinho ou não.

Os alunos vietnamita e cazaque raramente vem a esta sala. Me sobram o ganês e o chinês como companhia. Estes dois alunos estão mais próximos dos esteriótipos típicos dos seus países de origem do que eu estou de um brasileiro idealizado: o ganês é negro, mas baixo e gordo, enquanto o chinês, apesar de ter mais de 1,90m de altura, é amarelo e tem olhos puxados.

A minha audição, além de me permitir saber quando estou sozinho ou quando estou acompanhado, também me permite saber quando alguém peida na sala. Como nunca sei quem está aqui comigo, só posso inferir que, graças ao ar ventilado que emana das entranhas meridionais destes meus nobres companheiros de educação suíça, foi algum dos quatro que peidou. Como os outros dois, o vietnamita e cazaque, nunca aparecem por aqui, só me resta suspeitar que ou é o preto, ou é o chinês que realiza a sinfonia flatulenta diária deste escritório.

Semestre passado a situação era mais tranquila. Creio que tenham ocorrido, durante o semestre inteiro, uns três ou quatro flatos isolados. Suspeito que a partir deste semestre a alimentação de um deles foi mudada e, em vez do maldito peidorreiro estar consumindo aquilo que seu estômago estava acostumado, o nobre embaixador passou a ingerir repolho, feijão, beterraba, soja e transformou minha sala num eterno 4 de julho.

Como dito anteriormente, não consigo saber quem está comigo no escritório e não tinha certeza sobre quem ficava tentando equilibrar a concentração de metano interna de seu corpo com o ar do escritório. Mas, graças aos meus preconceitos, eu já tinha julgado e condenado um dos dois, ou o ganês, ou o chinês, pelo aumento dos coliformes fecais aéreos do ar que eu respiro diariamente. Hoje sei quem é o culpado, mas não o exporei ao ridículo aqui.

Só direi que se o maldito continuar a peidar nesta frequência por mais uns dois meses, vai desinflar e passar de seus 1,90m de altura para meros 1,60m.

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  • Institucional

    A Grande Abóbora, o blog do Marcus.

    Uma explosão de sabor.

    Saiba mais sobre mim lendo meu about.

    Ou não.