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Alo vose, leitor amado

Da diferença entre o humor tradicional e o stand-up brasileiro

Você, jovem antenado, que acessa o youtube regularmente e que está por dentro dos maiores nomes atuais da comédia no Brasil, já deve ter ouvido falar de stand-up comedy, a coqueluche do momento.

Entretanto, caso o senhor ainda não conheça a salvação do humor nacional, apresento-lhe neste artigo como diferenciar os medalhões deste novo estilo, como Rafinha Bastos e Danilo Gentili, daqueles “humoristas” velhos e sem talento, como Ary Toledo e Costinha.

Porque, caso o senhor ainda não saiba, o stand-up brasileiro (também conhecido por #standupbr) é o que precisávamos para sacudir o desgastado panorama da arte nacional do fazer rir.

Humor tradicional Ary Toledo style

Dois caçadores estão em um bosque quando um deles perde a consciência. Ele parece não respirar e seus olhos estão abertos e paralisados. O outro pega o celular e telefona para o serviço de emergência. Fala com voz ofegante:

- Meu amigo está morto! O que faço?

O atendente responde:

- Acalme-se, vou lhe ajudar. Primeiro temos de nos certificar de que ele está morto.

Há um silêncio na ligação, e então um tiro é ouvido. De volta ao telefone, o homem diz:

- Ok, e agora?

Stand-up brasileiro

Eu tinha dois amigos. Os dois eram caçadores. Um dia eles estavam em um bosque e um deles perdeu a consciência. Ele parecia não respirar e seus olhos estavam abertos e paralisados. O outro amigo pegou o celular e telefonou para o serviço de emergência. Ele disse, nervoso:

- Meu amigo está morto! O que faço?

O atendente respondeu:

- Acalme-se, vou lhe ajudar. Primeiro temos de nos certificar de que ele está morto.

Há um silêncio na ligação, e então um tiro é ouvido. De volta ao telefone, meu amigo disse:

- Ok, e agora?

Stand-up brasileiro – versão alternativa

Uma coisa que não entendo são as pessoas que caçam animais. Fiquei sabendo da história de dois caçadores. Um dia eles estavam em um bosque e um deles perdeu a consciência. Ele parecia não respirar e seus olhos estavam abertos e paralisados. O outro caçador pegou o celular e telefonou para o serviço de emergência. Ele disse, nervoso:

- Meu amigo está morto! O que faço?

O atendente respondeu:

- Acalme-se, vou lhe ajudar. Primeiro temos de nos certificar de que ele está morto.

Há um silêncio na ligação, e então um tiro é ouvido. De volta ao telefone, meu amigo disse:

- Ok, e agora?

E agora…

Agora que o senhor meu amigo sabe como proceder com a mais nova vertente do humor nacional e como diferenciá-la do antigo humor sem graça racista homofóbico machista nacional, não precisa mais sentir-se envergonhado quando aquela gatinha te chamar para assistir a próxima apresentação de Whose Line Is It Anyway, digo, d’Os Improváveis.

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Do porquê a religião insultar a minha inteligência

Creio que todos por aqui já devem ter visto o tal vídeo do Padre Marcelo comentando sobre seus cachorros. Pra quem ainda não viu (ou quiser relembrar), ele está logo abaixo.


Link para o vídeo

Em resumo, o padre disse que se um cão um dia o atacasse, bastaria pensar em deus que o animal não o atacaria. Para analisar esta afirmação, vamos supor que Deus exista e os cães atacaram o padre.

Neste caso, deus pode fazer duas coisas: interferir na situação e evitar que o padre seja ferido, pois como seu servo dedicado, ele merece esta proteção.

Não interferir e fazer o padre pagar pela sua soberba, pois ao declarar em rede nacional que deus interferiria a seu favor numa situação hipotética com rotvalleys (sic), Marcelo ditou o que deus poderia fazer numa situação mundana qualquer e ditou os rumos que o todo-poderoso escolheria.

Percebem a cilada lógica? É um tipo de tautologia: não importa o que ocorra, deus sempre estará agindo corretamente em sua infinita sabedoria e seus atos serão justificados.

Mas por que isto me insulta? Porque eu, enquanto cientista, sempre tento encontrar a forma mais fácil de descrever um fenômeno. Deus, no caso acima, é uma hipótese que não precisa ser considerada.

Vou dar um exemplo. Suponhamos que eu tenha uma pedra nas mãos e queira provar que ela não cai só devido à ação da força da gravidade e sim porque eu uso calças azuis. Para testar a minha hipótese, eu colocarei uma calça azul marinho e soltarei a pedra de certa altura, para comprovar se ela cai ou não.

A pedra cai, é claro. Mas alguém duvida da minha afirmação e pede para eu trocar de calças. Eu troco, colocando um modelo preto. Repito o experimento. Curiosamente, a pedra cai novamente. Mas eu não estou convencido. Pode ter sido coincidência ou, quem sabe, a pedra cai quando uso calças escuras. Troco para uma calça branca. A pedra cai. De forma sistemática, a pedra sempre cai, não importando se eu estiver usando calças vermelhas, verdes, jeans, de linho, moleton ou se eu estiver sem calças.

Neste ponto eu posso ser um cientista de verdade e abandonar a hipótese da interferência das calças no meu experimento, me contentando com a gravidade, que parece explicar bem o fenômeno, ou posso procurar outra hipótese para explicá-lo.

Digamos então que eu acredite que as pedras só caem porque eu estou usando gel no cabelo. Aí repito o experimento com e sem gel.

E a pedra continua a cair.

Outro impasse. Posso me resignar e aceitar a gravidade, que parece funcionar tão bem sozinha, ou posso inserir outra hipótese.

Bem, talvez a pedra caia porque, no momento em que a solto, há um bule orbitando o sol no cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter e é isto que faz as coisas aqui na Terra caírem.

Percebem a sutileza? Em vez de simplificar o problema e buscar a explicação mais simples, eu adiciono mais e mais hipóteses, até o momento em que elas não podem mais ser provadas. Até o momento em que elas dependem apenas da fé.

E alguém que age e pensa assim me ofende muito.

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O brasileiro não sabe assistir ao Big Brother

E a eliminação prematura da Tessália na atual edição só confirma a minha tese. Falo isto do alto da minha experiência como espectador semi-assíduo do programa, pois dentre as nove primeiras edições, só não assisti a sétima. Ou seja, tenho noção de como avaliar o que o povo faz de errado com os participantes da casa.

Mas antes de eu me justificar, vamos dar uma olhada nos vencedores das nove edições anteriores do programa:

  1. Kléber Bam-Bam
  2. Rodrigo Caubói
  3. Dhomini
  4. Cida
  5. Jean Wyllys
  6. Mara
  7. Diego Alemão
  8. Rafinha
  9. Max

SÓ OS PAU NO CU. Percebam que os melhores participantes do Big Brother nunca levam o prêmio máximo do programa. Melhores participantes, na minha concepção, são os que mentem, criam intrigas, fazem leva-e-traz, fofoca e gastam 2000 estalecas comprando um almoço japonês pra quatro pessoas em vez de comida pra alimentar a casa inteira.

Compras da Semana
Via Te Dou Um Dado?

De que adianta uma casa com, digamos, Cida, Mara, Jean e Rafinha e demais participantes da paz? O que ruleia é Marcela e Solange batendo boca, é gente que nem aquele médico cheio de cacoete que na segunda semana saiu com 95% de rejeição.

Este é o pessoal que deixa o programa interessante. Ficam fazendo intrigas e conspirações, e não sentando em torno da piscina pra tomar sol conversar sobre amenidades. Eu quero ver participante de Big Brother brigando, discutindo e dando tapa um na cara do outro. Eu não quero eles casando com a minha filha.

Aliás, sugestão para as próximas edições: agressão física liberada na casa, mas só por dois minutos, como no hóquei no gelo.

Mas isso sou eu, né. O povo, este ente amorfo que dá 80% de aprovação pro Lula mas que ninguém nunca sabe quem realmente é, acha que o prêmio deve ir pra quem precisa mais.

E, no caso, nunca é quem realmente participa do programa.

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Do I know you?

Marshall: She’s never seen Star Wars? Ted, the only people in the universe who have never seen Star Wars are the characters in Star Wars and that’s cause they lived them Ted, that’s cause they lived the Star Wars.
Ted: You’ve gotta calm down.
Marshall: I told you. I told you that you don’t know this girl well enough. What if you show it to her and she doesn’t like it?
Ted: Dude, it’s just a movie.
Marshall: Ted, Star Wars is your all time favorite movie, and whether or not Stella actually likes it is really important. Its like a test of how compatible you guys are.
Ted: Marshall, it’s just a movie.
Marshall: Ha.
Ted: It’s just a movie.

121 Awesome Minutes Later

Ted: Ok, if Stella doesn’t like this movie, I can’t marry her.
Marshall: No, you can’t.
Ted: Wanna watch it again?
Marshall: Yes I do.

É incrível como este diálogo de How I Met Your Mother faz TODO o sentido pra mim.

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Vídeo da Tessália e do Michel no Big Brother Brasil

Uns meses atrás, geral no twitter se escandalizou com o comportamento inadequado dos alunos da Uniban chamando a Geisy de puta. Os muçulmanos do ABC e tal.

Hoje, no mesmo twitter, só se fala da Tessália ter ido com o Michel pra baixo do ededron. Só se fala, claro, pra reprovar o ato e chamá-la de puta.

Eu devo ser muito burro pra não entender porque tratar mal a da gordinha feia é errado e escrotizar a magrinha bonita é certo.

Vídeo da Tessália e do Michel no Big Brother Brasil

E custo ainda mais a entender porque os liberais de outrora ficaram tão puritanos de uma hora pra outra.

Twitter = Uniban = Orkut = Brasil

5 comentários.
  • Institucional

    A Grande Abóbora, o blog do Marcus.

    Uma pequena coleção de inutilidades e pensamentos desconexos.

    Saiba mais sobre mim lendo meu FAQ.